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AGORA A FAMÍLIA OPTOU POR….por Luísa Lobão Moniz

Muitos de nós crescemos a ouvir dizer que a família era algo que não podia ser injuriada nem alvo de situações socialmente incorrectas, mas não ouvimos falar de liberdade, de emancipação das mulheres.

As mães serviam para ter filhos, assegurando assim a continuidade familiar, faziam o enxoval (bordavam toalhas, faziam rendas para os lençóis, iam comprando aos poucos um serviço de jantar), quem mandava em casa era o homem, o pai.

O pai tanto poderia ser o ídolo dos filhos como uma fonte de desobediência e de contestação, no entanto, tudo ficava entre as quatro paredes. Os filhos eram castigados, batidos, deserdados….

Os filhos começaram, no entanto, a ser reconhecidos como pessoas com as suas especificidades, já não era o adulto em miniatura e o que acontecia em casa não era só do foro privado, começava a ser também do domínio público.

A sociedade foi evoluindo, como uma entidade dinâmica que é, trazendo novos papéis e funções às mulheres, às crianças e aos homens.

Os filhos sempre foram educados para o respeito que deveriam ter pelos pais, principalmente pelo pai que era a autoridade máxima (“vai perguntar ao teu pai”, era a “cabeça do casal”, dava autorização para a mulher poder sair do país…) a mãe cozinhava, tratava da vida “doméstica”.

Mas…chegou a altura da mulher sair de casa e ir trabalhar. Ora a família já não era aquele sítio idílico que se via retratado nos manuais escolares.

As crianças foram para a escola e tinham que cumprir a escolaridade obrigatória, que foi variando também com as mudanças sociais. Eram o futuro que a sociedade delineava e por isso estipulava quantos anos de escolaridade obrigatória eram necessários…

As mulheres foram trabalhar e, contra a vontade dos homens, as “tarefas domésticas” tiveram que começar a ser partilhadas por todos os elementos da família.

Os filhos trazem trabalhos da Escola para fazer em casa, e são ajudados normalmente pela mãe, se se tratar de uma família escolarizada, se não, no dia seguinte, não levam os trabalhos realizados e são chamados de “aluno desinteressado”.

Agora a família optou por jantar a ver televisão à hora do telejornal ou das telenovelas, agora a família optou por deixar os filhos “ligados” aos telemóveis enquanto comem, agora a família optou por permitir que os filhos estejam “ligados” e quantas vezes viciados na internet.

Quando digo, baseada em estudos realizados e em notícias da comunicação social, que a família é, muitas vezes, o sítio mais perigoso para uma criança é porque parece que já ninguém existe numa família. Os filhos são sujeitos a violências várias até às notícias da comunicação social “mãe matou os filhos e depois suicidou-se”, “deu entrada no hospital uma criança queimada pela mãe”, “mãe batida e espancada pelo pai ou companheiro da mãe”, “ex marido mata a mulher e uma amiga” e não é preciso dizer mais…

Os filhos desviam os olhos para a televisão e vêem terroristas a matar em directo ou a decapitar em directo.

A violência está a banalizar-se, até nos joguinhos para crianças, ganha quem decapitar mais inimigos.

Onde está o superior interesse da Criança?

Onde está a ser cumprida a Declaração dos Direitos Do Homem?

Nota: enquanto escrevi este texto, foi assassinada uma mulher, uma criança foi maltratada, centenas de pessoas morreram em guerras. Muitas crianças foram salvas, muitas mulheres foram protegidas. Mas chega salvar e proteger?

 

 

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