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UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (78)

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A CIDADE NÃO É SÓ A FOZ, A RIBEIRA OU A AVENIDA DOS ALIADOS

A cidade do Porto não é só a Foz do Douro, a Boavista, a Avenida dos Aliados, a Sé, a ponte Luís I ou a Ribeira. Há muito mais cidade para além disto. Zonas importantes onde a maior parte da população habita, vive e trabalha, mas também onde sofre e/ou rejubila com os desaires, os feitos e as vitórias de todos nós.

A cidade também não se fica entre o rio, o mar e a Circunvalação. Ali em baixo, junto ao rio, a nascente da cidade, fica Azevedo, do lado de lá da Estrada da Circunvalação. Pertence a Campanhã e também é Porto. É lá que se encontra o Parque Oriental da cidade, que embora bonito e bem arranjado, se bem que ainda não acabado (ainda lhe faltam uns quantos hectares de terreno), é muito pouco frequentado. Não está perto do mar, nem está na moda!

Campanhã é uma das zonas da cidade onde essa necessidade de recuperação e reabilitação é mais premente. Em boa hora se ouve dizer que o actual executivo da Câmara está empenhado em levar a bom porto esse trabalho.

Por todo o lado nos surge a necessidade de recuperação e de reabilitação, tanto do património, como das pessoas e das suas condições e qualidade de vida. A par da imensa degradação, encontramos a parte já recuperada, e bem. O Palácio do Freixo, a Quinta da Bonjóia, a Marina do Freixo, a Quinta de Villar d’Allen e a Quinta da Revolta (Horto do Freixo) são alguns exemplos de recuperação de espaços, bem sucedidos. A Quinta da Lameira, hoje Parque de São Roque, continua com o seu Palácio totalmente degradado e ao abandono.

A cada passo ando por aqui ou por ali, por esta rua ou por aquela, por este jardim ou aquele passeio, ou ainda por esta esplanada ou aquele miradouro.

Rua de Justino Teixeira
(À direita fica a estação de Metro)
Rua do Freixo
Travessa de Nova Sintra

Hoje tive de ir a Campanhã, o que me acontece com alguma frequência, e fui de Metro. O Metro do Porto é excelente. Tanto no que diz respeito à comodidade que oferece aos passageiros, como à mobilidade. Tenhamos esperança em que o governo da República, tenha o discernimento necessário, para que, nesta fase difícil que a Metro está a atravessar, resolva atempadamente o problema que ele mesmo criou.
A Estação de Campanhã está rodeada por ruas e casas em avançado estado de degradação. Os habitantes da zona, sofrem com a situação, e a qualidade de vida é baixa. Campanhã nunca foi uma zona “fina”, pelo que os felizes detentores de uma sólida capacidade económica a votaram a um continuado abandono e um quase execrável desdém. A chegada do Metro, há alguns anos, e o arranjo do pavimento em frente à estação de comboios, acabado de ser executado, em nada modificaram esse panorama. Muito há ainda para fazer e a efectivação dos trabalhos prometidos pela edilidade, está a demorar a arrancar.

Estação de Campanhã

E quem fala na zona da estação de Campanhã, pode falar da mesma forma nas cercanias da Igreja do Bonfim, na rua de São Roque da Lameira, na Corujeira, na rua do Heroísmo e em mais um sem número de ruas e travessas e lugares espalhados e esquecidos por toda a cidade.
Estas zonas do Porto foram já, em tempo idos, zonas bem arranjadas e preferidas pelas elites económicas, o que pressupõe que possam voltar a sê-lo, se recuperadas devidamente.

Casa da Quinta da Lameira (Parque de São Roque)
Jardim da Corujeira

 

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