
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
A queda do Euro
Tejvan Pettinger, Fall in Euro
Economics.help, 16 de Março de 2015
Recentemente, o Euro caiu de 1,5 dólares por 1 Euro em 2011 para estar agora próximo da paridade em Março de 2015.
A queda no valor do Euro foi muito grande nos últimos seis meses.
Esta é uma depreciação muito significativa no Euro, e reflecte primeiramente uma maior fragilidade económica da zona euro. E relacionada com essa fragilidade económica, está a decisão da zona euro de começar recentemente a política monetária expansionista (a flexibilização quantitativa ou quantitative easing).
Porque é que o euro está a cair?
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O BCE embarcou na aplicação da Quantitative easing – a criação de dinheiro para comprar obrigações do Estado. A Quantitative easing tende a reduzir o valor de uma moeda porque:
– este acréscimo na quantidade de moeda oferecida tende a reduzir o valor da moeda (uma maior oferta tende a reduzir o seu preço.)
– a Q.E aumenta as expectativas de uma inflação mais alta – uma inflação mais alta tende a reduzir o valor de uma moeda porque esta se tornará menos atractiva para comprar bens na UE.
– a compra de títulos da dívida pública reduzirá os rendimentos dos títulos na Europa, tornando-os menos atractivos para que os investidores privados coloquem o seu dinheiro na zona euro – obtém-se um rendimento mais baixo aplicando nos activos na zona euro . Os investidores poderão de preferência colocar o dinheiro em activos dos E.U., onde as taxas de juro irão com maior probabilidade aumentar e assim se obterá uma rentabilidade maior.
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Uma maior fragilidade da economia da zona euro . Alguns analistas acreditam que a quantitative easing da União Europeia pode ser vista como tendo vindo demasiado tarde , como sendo demasiado pequena; acreditam que a Quantitative easing na Europa pode realmente ter um efeito bastante limitado. Isto é devido a dois factores:
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Na Europa (em comparação com os Estados Unidos) as empresas dependem mais dos bancos do que do mercado de títulos e não irão beneficiar muito da descida das taxas sobre os títulos da dívida pública e das empresas – um objectivo da quantitative easing.
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As expectativas de uma baixa taxa de inflação são muito fortes na zona euro, e pode ser muito difícil para o BCE realmente aumentar a inflação e o crescimento económico nominal.
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há ainda forte oposição à quantitative asing pela parte da Alemanha de modo que o montante do seu valor na EU pode ainda ser insuficiente.
Esta fragilidade da zona euro a longo prazo está a ter um grande impacto sobre o valor do Euro. As pessoas não querem deter euros se terão que esperar vários anos em situação de baixo crescimento, de taxas de juro baixas e de aumento da dívida em termos de PIB. A fragilidade a longo prazo da zona euro está a deixar os investidores menos propensos a colocar as suas poupanças em euros. A queda do euro é maior que a queda da libra ou do dólar, quando o Reino Unido e EUA embarcaram na sua respectiva quantitative easing, o que sugere que há mais efeitos subjacentes na descida do valor do euro, para além da expansão da oferta de dinheiro .
Taxas de juros. Um factor importante na determinação das taxas de câmbio são as taxas de juros reais. Se as taxas de juros são relativamente mais baixas na zona euro do que noutros lugares, haverá menos procura na colocação de poupanças em euros, há pois menos procura de euros e este vai cair. Porque a recuperação económica é muito mais forte nos EUA e noutros lugares, os analistas esperam que as taxas de juros irão em breve aumentar nos EUA. Em comparação, as taxas de juros na Europa são esperadas permanecer em zero por um período de tempo muito considerável. ( as taxas de juros reais em títulos alemães a 10 anos são negativas-0.9%)
Outros factores que possam influenciar a taxas de câmbio (teoria)
A baixa taxa de inflação. A UE tem uma inflação mais baixa do que a existente noutros lugares com uma taxa de-0.2% – isso deve em teoria fazer com que a União Europeia se torne relativamente mais competitiva e aumente o valor do Euro, mas actualmente este efeito é neutralizado por outros factores.
Impacto da queda do Euro
Um queda do Euro vai ajudar a que as mercadorias produzidas na Europa se tornem relativamente mais baratas, fornecendo um impulso ao turismo na UE, à indústria transformadora e à exportação. Devemos então esperar por um maior excedente na balança corrente da União Europeia, o que fornece uma injecção na economia da zona euro. Isto deve ajudar a recuperação da União Europeia – isso é particularmente importante dada a actual insuficiência da procura interna à zona e dadas as pressões deflacionistas na zona euro.
Um dólar mais forte diminui a retoma da economia dos EUA. A força do dólar tornará as exportações dos EUA mais caras e irá reduzir a procura.
De certa forma a taxa de câmbio flutuante estará a ajudar a equalizar a procura entre os Estados Unidos e a Europa. Uma das principais razões pelas quais o Euro está a cair contra o dólar é a maior fragilidade económica da Europa em comparação com os EUA. Mas, a queda do euro, ira conduzir a uma situação a que a diferença na fragilidade entre as duas economias se reduza.
Inflação na Europa? A queda do euro pode ajudar a resolver a deflação / muito baixa inflação na Europa. Em primeiro lugar, o custo das importações subirá, criando uma inflação pelos custos. Mas, também, a crescente procura pelas exportações pode contribuir para um pequeno aumento na procura e para que esta tenha então um efeito positivo sobre a inflação fazendo-a aumentar. Dado o estado actual da economia da zona euro, o impacto sobre a inflação é provável que seja muito limitado. Mas, se ajuda a evitar uma prolongada deflação, isto pode ser positivo.
Tejvan Pettinger, Fall in Euro.
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Texto disponível em : http://www.economicshelp.org/blog/13178/economics/fall-in-euro/
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