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PORTUGAL NA ENCRUZILHADA – SOBRE AS MENTIRAS QUANTO À SAÍDA DA CRISE, SOBRE OS NOVOS VICHY IMPLANTADOS POR TODA A EUROPA, TUDO SOB A “VIGILÂNCIA APERTADA” DE BRUXELAS, TUDO SOB O COMANDO DE BERLIM. – UMA CRÍTICA QUE PODERIA SER APRESENTADA AO NOSSO PRIMEIRO-MINISTRO SE VALESSE A PENA – por JÚLIO MARQUES MOTA – V

Falareconomia1

Sobre as mentiras quanto à saída da crise, sobre os novos Vichy implantados por toda a Europa, tudo sob a “vigilância apertada” de Bruxelas, tudo sob o comando de Berlim.

Uma crítica que poderia ser apresentada ao nosso Primeiro-ministro se valesse a pena

(continuação)

IV A distância entre o governo grego e o governo português é infinita

Estamos geograficamente como diria o ministro das finanças grego, a milhas do que o pensa o suposto executivo português. Tudo dito. Mas nós estamos, com o texto de Achim Truger, a falar das reformas no quadro da União Europeia que poderiam servir de resposta imediata à crise. Nada mais do que isso.

Como nos posicionámos em Berlim e de acordo com o artigo citado, as medidas propostas por Achim Truger, muitíssimo importantes, é certo, para resolver a crise de imediato, são apenas isso, deixando todas as portas abertas para uma próxima crise dentro de anos por não tocar nas razões de fundo e estruturais que levaram a esta crise.

Quando nos posicionámos em Berlim com o artigo citado queríamos apenas procurar mostrar que é necessário ir mais fundo na análise da crise, que é necessário ir à raiz das causas que geraram os excedentes/ défices que alimentaram a crise e a fizeram detonar. E mais, que se não atacarmos a crise por essas causas, estaremos apenas a fazer tratamentos de cosmética sobre a situação de crise. É por isso que falámos de Portugal e da sua estrutura produtiva a ser esmagado por um lado e pelo outro, a ficar no meio de uma encruzilhada de que não consegue sair. Por um lado temos o euro e a divisão internacional do trabalho na zona euro que lhe tem estado subjacente e, por outro lado, temos os países emergentes e a política de liberalização comercial imposta pela Organização Mundial do Comércio. Em suma, Portugal apertado pelos dois lados.

Nesta encruzilhada estão pois a Alemanha e os países emergentes como um todo mas em que assume papel de relevo a China, tão de relevo quanto o da própria Alemanha.

Os extraordinários textos de Michael Pettis incidem exclusivamente na existências dos excedentes/défices que atravessam esta crise e marcam a ferro e fogo os países ditos periféricos. O de Truger fala-nos sobre as medidas imediatas para resolver a crise da dívida, mas é necessário ir à crise estrutural que está subjacente a tudo isto e mais, que é a causa de tudo isto. É preciso então analisar o papel que a Alemanha assumiu na divisão do trabalho da União Europeia e por aqui reencontramos a nossa posição apresentada em Berlim, mas agora através de um fabuloso trabalho de Onubre Einz que é, do nosso ponto de vista, a melhor coisa que já li sobre a construção do império alemão que capturou a Europa e fez dela uma enorme região alemã. Para isso temos um grande prazer em colocar à disposição dos que andam pelas águas percorridas com A Viagem dos Argonautas o monumental trabalho de Onubre Einz sobre este tema bem específico e bem importante a que demos o título

A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real- o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho

(continua)

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Para ler a Parte IV de “Sobre as mentiras…”, de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

PORTUGAL NA ENCRUZILHADA – SOBRE AS MENTIRAS QUANTO À SAÍDA DA CRISE, SOBRE OS NOVOS VICHY IMPLANTADOS POR TODA A EUROPA, TUDO SOB A “VIGILÂNCIA APERTADA” DE BRUXELAS, TUDO SOB O COMANDO DE BERLIM. – UMA CRÍTICA QUE PODERIA SER APRESENTADA AO NOSSO PRIMEIRO-MINISTRO SE VALESSE A PENA – por JÚLIO MARQUES MOTA – IV

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