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A dívida portuguesa também é insustentável – por Erico Matias Tavares II

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 (continuação)

UTILIZANDO HIPÓTESES RAZOAVELMENTE OPTIMISTAS, A ECONOMIA PORTUGUESA É INCAPAZ DE CRESCER O NECESSÀRIO PARA COBRIR OS JUROS DA DÌVIDA PÚBLICA, MUITO MENOS TEM RECURSOS PARA ASSUMIR TODOS OS REEMBOLSOS DO PRINCIPAL (DO DINHEIRO EMPRESTADO)!

Em consequência, o rácio da dívida pública relativamente ao PIB  pode apenas aumentar a partir daqui, especialmente porque o governo parece incapaz de equilibrar as contas públicas.

O desempenho histórico recente é particularmente revelador.

Dívida pública portuguesa como rácio relativamente ao PIB. Fonte: BdP.

 

Deveria ser óbvio porque é que os credores de Portugal esperam por mais austeridade ainda: o governo precisa de gerar um grande excedente orçamental para, pelo menos, estabilizar a situação da dívida (e um excedente gigantesco para realmente começar a pagar a dívida). Mas, com o envelhecimento da população, a procura interna fraca e o impacto recessivo devido a ter de reduzir ainda mais a despesa pública, neste contexto, o obstáculo continuam a ficar cada vez mais alto e difícil à medida que o tempo passa. E se a economia mundial entra em recessão, os rácios da dívida do governo só poderão ter de explodir ainda mais a partir destes altos valores.

Um incumprimento de Portugal, em linguagem popular a entrada em situação de não pagamento, poderia ser muito mais problemático do que a situação da Grécia por um par de razões: i) apesar dos milhões de milhões de euros em intervenções do banco central e dos fundos dos contribuintes em risco, torna-se inegável que a crise da Europa do Sul está longe de ser resolvida – a posição de Mario Draghi de fazer “tudo o que for preciso ” deixa de ser suficiente; ii) os contribuintes europeus estão principalmente encurralados no caso de um perdão parcial da dívida grega, (haircut) mas ainda há muitíssimos credores privados sobre dívida pública em Portugal – incluindo a partir de Espanha, França e Alemanha. Assim, as coisas poderiam disparar rapidamente.

“Mas Portugal pode crescer à sua maneira e livrar-se deste enorme problema” !

Como qualquer céptico diria: as estatísticas do rácio da dívida em relação ao PIB publicado pelo INE são enviesadas porque se a economia estivesse a operar normalmente, o PIB seria muito maior e o rácio da dívida seria, portanto, muito mais gerível …

Desculpe, mas esta é uma afirmação especulativa – e certamente não está baseada em factos. O PIB “normal” foi inflacionado pelas muitas dívidas, tanto pública como privada, acumulada ao longo de muitos anos.

Claro que tudo pode acontecer nestes tempos incertos, mas há um grande corpo de dados a sugerirem que Portugal está em grandes dificuldades financeiras. Longe de nós querermos ser aqui os profetas da desgraça, mas para chegar a uma solução viável nós precisamos em primeiro lugar de compreender completamente o problema que se tem em mãos.

Considere o seguinte :

Portugal Quarterly Real GDP Growth Rate: 1Q’88 – 2Q’15

Source: http://www.tradingeconomics.com, BdP.

Source: McKinsey Global Institute.

 

(continua)

A dívida portuguesa também é insustentável – por Erico Matias Tavares I

 

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