A dívida portuguesa também é insustentável – por Erico Matias Tavares III

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 (conclusão)

 

  • Então há investimento perdido, o que está relacionado com o ponto acima. Os economistas austríacos definem-no como “investimento na actividade económica mal alocado, o que é devido ao custo do crédito artificialmente baixo e a um aumento insustentável da oferta de moeda”. Estar no Euro desde 2000 deu a Portugal um acesso sem precedentes ao crédito a taxas de juro muito baixas, resultando daí um enorme crescimento em bens de consumo importados e em novas auto-estradas que atravessam o país de cima a abaixo . Os créditos associadas a maus investimentos mais cedo ou mais tarde têm de ser liquidados, o que também irá afectar o crescimento.

  • Portugal tem um dos mais altos índices de desigualdade de rendimento na zona euro. Portanto, uma nova onda de medidas de austeridade irá desproporcionadamente atingir       uma grande percentagem da população nos níveis mais baixos de rendimento. Como discutimos anteriormente, uma dinâmica semelhante foi um dos pregos no caixão das políticas anteriores de resgate da Troika na Grécia.

  • Por fim, mas não menos importante, esses valores da dívida não incluem passivos contingentes, tais como as pensões e os custos de saúde ao longo do tempo. O gráfico abaixo mostra a terrível situação da demografia portuguesa. Menos pessoas e mais velhas estas, simplesmente não podem pagar as dívidas que nestas condições irão disparar. E como a recente debacle Grupo Espírito Santo mostrou, o governo ainda pode ter que incorrer em custos adicionais para ajudar o sector financeiro do país a recuperar o seu equilíbrio financeiro.

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Portuguese Population by Age Group (‘000s): 1985 – 2050 (at constant fertility rates)

Source: UN.

 

Então, o que os investidores em obrigações fazem de tudo isto?

Evidentemente que o Banco Central Europeu tem as costas largas, porque as obrigações de dívida pública portuguesa a 10 anos estão a ser negociadas actualmente a apenas 186 pontos base acima dos Bunds alemães, enquanto que os títulos da dívida pública a 10 anos da Grécia estão a ser negociadas a 1043 pontos de base acima e os EUA estão em 155 pontos base acima dos mesmos Bunds (em USD é claro).

Mas devem-se eles preocupar?

Aqui está o que José Sócrates, Primeiro-Ministro Português 2005-2011, tinha a dizer sobre a situação financeira do país, logo a seguir a ter deixado o governo :

“Para países como Portugal e Espanha, a ideia de que agora temos de pagar a dívida é uma ideia infantil. Dívidas soberanas, como nos é ensinada em economia – isso é o que eu tenho estudado desde há algum tempo – são, por definição eternas. As dívidas são para ser geridas, não para serem pagas. É o que estudei. É claro que não devemos deixar crescer muito a dívida , porque isso é um fardo para as despesas (…) “.

Sim, os investidores devem estar preocupados, sem dúvida. E todos nós também.

Erico Matias Tavares, Portugal’s Debts Are (Also) Unsustainable. Texto disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/portugals-debts-also-unsustainable-erico-matias-tavares e também publicado por Zero Hedge.

“For countries like Portugal and Spain, the idea that we now have to pay the debt is a childish idea. Sovereign debts, as it is taught in economics – that’s what I have studied for some time – are by definition eternal. Debts are to be managed.That’s what I studied. Of course we should not let debt grow too much because that’s a burden on expenses (…)”.

Yes. They should be very concerned indeed. And so should the rest of us.

 

A dívida portuguesa também é insustentável – por Erico Matias Tavares II

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