EDITORIAL – A VISTA CURTA, OU A ECONOMIA DIABÉTICA
joaompmachado
Paul Krugman está em Portugal e voltou a manifestar-se contra as políticas de austeridade. Polidamente, foi dizendo que a Comissão europeia não deveria contrariar as novas orientações que se procuram pôr em prática no nosso país. Mas torce o nariz à subida do salários mínimo e não quer considerar hipóteses que incluam reestruturação da dívida. Há tempos, noutra visita que nos fez, referiu que o euro só seria viável com um sistema bancário único. Elogia a política económica e financeira norte-americana dos últimos anos. Há que referir que Krugman apoia o partido democrático, ao qual pertence Barack Obama, e que, provavelmente, vai apresentar Hillary Clinton (há quem pense que Bernie Sanders ainda tem hipóteses…) às próximas eleições presidenciais.
Na coluna que publica no New York Times, fez na segunda-feira passada uma referência às taxas de juro negativas que agora aparecem por todo o lado na economia (vejam o primeiro link abaixo). E que curiosamente não parecem estar a trazer um grande estímulo à economia. Citando outro economista, Narayana Kocherlakota, que também parece ser um tipo importante lá no sítio, pois já foi presidente do Banco da Reserva Federal do Minnesota, o que, perdoe alguém a comparação, deve ser um pouco como uma espécie de sucursal do Banco de Portugal, diz-nos que as baixas taxas de juro estão para a economia como as injecções de insulina para os diabéticos.
Paul Krugman parece simpatizar muito com Portugal e preocupar-se imenso com o estado da economia europeia. Mas perdoarão a um pobre escriba dizer que quando ele aceita esta comparação entre o nível das taxas de juro e o grau de insulina no sangue não consegue propriamente animar-nos. Talvez não fosse intenção dele contribuir para a melhoria do nosso estado de espírito, também é uma hipótese a considerar. Mas vir um senhor tão bem cotado fazer comparações entre as taxas de juro negativas e a insulina, não será o mesmo que estar a dizer-nos que a economia dificilmente terá cura? A maioria de nós não percebe de economia nem de medicina, como é o caso do autor deste editorial. Mas pelo menos já ouviu dizer que a diabetes é uma doença incurável, ou que dificilmente tem cura. Será que Paul Krugman, prémio Nobel de Economia em 2008, pensa qualquer coisa parecida em relação à ciência em que é mestre reconhecido? O que andamos nós aqui a aturar?