Nota prévia
Este texto de Paul Krugman, sendo certo o que ele diz, omite no entanto outras ignorâncias e ignomínias de anteriores dirigentes dos EUA, igualmente responsáveis pela “ocorrência de grandes catástrofes”, nomeadamente Joe Biden e a sua administração com a manipulação da guerra da Ucrânia, só para citar um caso mais recente,
FT
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Seleção e tradução de Francisco Tavares
2 min de leitura
Ignorância e ignomínia
Publicado por Paul Krugman Substack em 8 de Abril de 2026 (original aqui)
A nossa humilhação em Ormuz não foi um acidente
Assim, a maior potência militar do mundo entrou em guerra com uma teocracia pobre e medievalista. Foi um jogo incrivelmente desigual. Aqui estão os PIBs do Irão e dos Estados Unidos em 2024:
O Irão venceu. O regime iraniano emergiu muito mais forte do que antes, controlando o Estreito de Ormuz e tendo demonstrado a sua capacidade de infligir danos tanto aos seus vizinhos como à economia mundial. Os EUA saíram muito mais fracos, tendo demonstrado as limitações da sua tecnologia militar, a sua inaptidão estratégica e, quando a situação se torna crítica, a sua cobardia.
Também destruímos a nossa credibilidade moral: Trump pode ter-se acobardado no último minuto [n.t. TACO-Trump Always Chickens Out], mas ameaçou cometer crimes de guerra gigantescos — e para todos os efeitos práticos as nossas instituições políticas e civis deram-lhe permissão para o fazer.
Como é que isto aconteceu? Naturalmente, o ministro iraniano da Guerra creditou a intervenção divina, declarando que “Deus merece toda a glória”. A sua nação, disse ele, lutou com a “proteção da Providência Divina. Um enorme esforço com protecção milagrosa”.
Bem, coisa de teocratas.
Mas atenção: estou a mentir. Esta não foi uma citação de um alto responsável iraniano. Foi sim o que Pete Hegseth, o nosso auto-proclamado Ministro da Guerra, disse quando afirmou que uma das piores derrotas estratégicas da história estado-unidense foi uma grande vitória.
Haverá muitas análises por especialistas militares e estratégicos do desastre do Irão. Mas não percamos de vista o quadro mais amplo: fomos levados ao desastre pela ignorância arrogante de homens como Trump e Hegseth — ignorância arrogante agravada ainda mais pelas alegações de que Deus apoia tudo o que eles querem fazer.
Com homens como estes a comandar os Estados Unidos, a ocorrência de grandes catástrofes era apenas uma questão de tempo. Gostaria de pensar que ficaram subjugados com este desastre, que aprenderam alguma coisa. Mas não acredito nisso nem por um minuto.
Que Deus nos ajude.
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O autor: Paul Krugman [1953-] é um economista estado-unidense, distinto professor de economia no centro de pós-graduação da City University de Nova Iorque e colunista do The New York Times. Em 2008 foi o vencedor do Prémio Nobel das Ciências Económicas pelas suas contribuições para a nova teoria do Comércio e para a nova geografia económica. O Comité do Prémio citou o trabalho de Krugman que explica os padrões do comércio internacional e a distribuição geográfica da actividade económica, examinando os efeitos das economias de escala e das preferências dos consumidores por diversos bens e serviços.
Krugman foi O anteriormente professor de economia no MIT e, mais tarde, na Universidade de Princeton, onde detém o título de professor Emérito. Também detém o título de Professor Centenário na London School of Economics. Krugman foi presidente da Associação económica Oriental em 2010, e está entre os economistas mais influentes do mundo. Ele é conhecido na academia pelo seu trabalho em Economia Internacional (incluindo teoria do Comércio e finanças internacionais), geografia económica, armadilhas de liquidez e crises cambiais.
Krugman é autor ou editor de 27 livros, incluindo trabalhos académicos, livros didáticos e livros para um público mais geral, e publicou mais de 200 artigos académicos em revistas profissionais e volumes editados. Escreveu também várias centenas de colunas sobre questões económicas e políticas para o New York Times, Fortune e Slate. De acordo com o projecto Open Syllabus, Krugman é o segundo autor mais citado em programas universitários para cursos de economia. Como comentarista, Krugman escreveu sobre uma ampla gama de questões económicas, incluindo distribuição de renda, tributação, macroeconomia e economia internacional. Krugman considera-se um liberal moderno, referindo-se aos seus livros, ao seu blog sobre o New York Times e ao seu livro de 2007 a consciência de um Liberal.




