EDITORIAL –  DEPOIS DO REFERENDO NA ESCÓCIA

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Os escoceses foram às urnas e o “não” à independência ganhou. Não foi um resultado surpreendente.  Mas a primeira coisa a registar é que vão ficar marcas para o futuro. Em vários sentidos.  Os escoceses portaram-se de maneira notável em todo o processo e, mesmo não gostando do resultado final, há que o salientar. A primeira prova do que dizemos pode-se ver aqui:

http://www.heraldscotland.com/news/home-news/cameron-this-is-the-settled-will-of-scotsbut-well-devolve-more-powers-around-uk.1411108470

Para David Cameron uma vitória do “sim” teria sido um desaire formidável, pois ficaria como o primeiro-ministro do último governo do Reino Unido. Não se duvide de que vai tentar introduzir algumas das reformas que prometeu, até porque isso lhe dará prestígio na sua vida política futura. É contudo duvidoso que obtenha para tal os apoios de que disfrutou no apoio ao “não” no referendo. Nesse apoio Cameron foi muito longe, e é inegável de que terá ido mais longe do que devia. Houve sem dúvida erros da parte da campanha do “sim”, nomeadamente numa insuficiente preparação nos aspectos económicos. A opção por manter a Escócia na libra, feita obviamente por ser a mais fácil, não terá sido a melhor. Um moderado como Paul Krugman, que não tomou posição abertamente no debate, já tinha alertado para tal em Fevereiro passado. Será interessante lerem em:

http://krugman.blogs.nytimes.com/2014/02/24/scots-wha-hae/?_php=true&_type=blogs&_r=0

http://www.nytimes.com/2014/09/08/opinion/paul-krugman-scots-what-the-heck.html

Não será exagero afirmar que o fear factor de que fala Krugman terá efectivamente pesado na balança. E ele acaba por o reforçar no segundo editorial que assinalamos. Contudo há que tomar nota deste ponto e porque as autonomias perderam uma batalha, mas vão continuar. E a sua causa é essencial para a democracia, base fundamental da felicidade e do bem-estar dos povos. Na Europa e no Mundo.

 

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