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….UMA MORTE OFERECIDA… por Luísa Lobão Moniz

 

Fala-se muito em crianças e jovens “mal educados, indisciplinados”, mas não se fala da ausência de limites que, essa,  não educa.

Alguns pais não têm noção do mal que causam aos seus filhos quando não estabelecem limites para eles. Os desejos são concretizados sem esforço por parte dos filhos, que   não aprendem a controlar as suas vontades. À medida que vão crescendo, estas crianças, não vão conseguindo  lidar com os “problemas” que lhes possam surgir.

A família, e os laços afectivos existentes entre todos os seus elementos, é a grande reguladora dos comportamentos.

Na família tradicional, a família é representada e responsabilizada nas figuras dos pais e das mães, no entanto, hoje em dia a formação familiar está bastante modificada e a responsabilidade dos adultos é um pouco difusa e cada um  culpabiliza outros (tios, avós, padrastos, madrastas…).

Deixando a família “cair” essa regulação comportamental, a sua representação social enfraquece e é mais fácil dizer que as crianças hoje são mais difíceis e que precisam de ser castigadas e, ainda, sendo caso disso, batidas.

O comportamento não regulado, mas bem sucedido em casa (ser violento, dizer mentiras…) o ser educado sem balizas, muitas vezes baseando-se no amor incondicional, irá trazer problemas na adolescência e na vida adulta. Estas crianças crescem sem autocontrolo, e inseguras, sem perspectiva de uma vida futura.

Hoje só ouvem falar que são uma geração sem futuro, que a geração dos pais vive melhor do que eles vão viver no futuro.

É este o alento que se dá a uma geração, perdida entre o conhecimento precioso da internet a par com a agressividade que lê nas redes sociais, sem que haja punição para tanto incitamento à violência?

O  ser humano é insaciável e tem a noção da sua finitude por isso tudo tem que ser agora e depressa.

As necessidades são infinitas, mas  não são trabalhadas nem  contidas por regras. Não aceitam a espera, nem o impedimento e, nem que seja pela violência, hão-de conseguir o que querem naquele instante.

A sociedade encarregou-se de banalizar a violência, é ver-se a moda que impõe, a publicidade que faz, é ver-se as notícias dos meios de comunicação social, quase que não há uma semana em que não seja revelada mais uma situação de violência doméstica, de morte de mulheres….

Neste momento vem-me, tristemente, à memória tantas, tantas pessoas, entre elas crianças, vítimas de assassinatos individuais, colectivos, crianças refugiadas com a sua infância morta dentro de si.

Que dizer da vida-morte de uma criança, que a semana passada fez correr tinta nos jornais. Vivia acorrentada, pelos pais, de uma família tradicional, com conhecimento de alguns vizinhos…

Esta criança não viveu, foi sendo assassinada por uma morte oferecida!

Não há Oceano que consiga absorver as lágrimas derramadas por estas crianças e, quando as margens apertam, a água tem que sair por algum lado, com a violência que for precisa.

 

 

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