
A saída do Reino Unido da UE tem levantado muito celeuma, como está à vista de todos. Os prognósticos sobre cenários futuros chovem, uns não auguram nada de bom, nem a Europa, nem para o Reino Unido, outros são mais positivos. Mas o que vem à baila frequentes vezes são os nacionalismos. Tomemos um exemplo, o de Joschka Fisher, antigo ministro e vice-chanceler alemão, que no El País nos apresenta hoje um artigo A Europa tem de despertar, em que diz nomeadamente que a reaparição dos nacionalismos fez reviver o mito de uma época dourada de estados étnica e politicamente homogéneos, livres de limitações externas e imunes às consequências negativas da globalização. E refere que o nacionalismo está em crescendo em quase todos os países europeus, dirigindo-se sobretudo contra os estrangeiros e a UE, fazendo também considerandos sobre o esquecimento que estará a ocorrer relativamente aos efeitos das duas guerras mundiais. Diz também que toda a gente sabe o que falta fazer: um acordo entre a teimosa insistência da Alemanha nas políticas de austeridade e a necessidade dos países mediterrânicos de aumentar o gasto para retomar o crescimento e impulsionar a competitividade. Podem ler o artigo de Joschka Fisher clicando no link abaixo.
A contraposição entre a adesão à UE e os efeitos nefastos dos nacionalismos é na realidade muito insuficiente para não dizer totalmente descabida. É que a UE não afastou as ambições de certos países se sobreporem aos outros. Talvez por enquanto não pensem em armar exércitos para ocupar o vizinho europeu. Para já, só os preparam para intervenções mais ou menos veladas um pouco mais longe, na Síria (em terra para já não, mas vão lá chegar), na República Centro-Africana, na Líbia e outros. Quando foi do desmantelamento da Jugoslávia, também houve bastantes ameaças, mas já lá havia feras à solta que chegassem. O facto é que a UE não suprimiu os efeitos nefastos dos nacionalismos, antes os agravou. Basta recordar algumas declarações dos seus dirigentes (dos que realmente mandam), como Schäuble, quando dizia que não se importava de trocar a Grécia por Porto Rico (clicar no segundo link abaixo). E pensar no que foi o trabalho do nosso Durão (será que ele realmente gosta que lhe chamem assim?) Barroso, ex-presidente da comissão europeia, e agora Goldman Sachs. Ou no do seu sucessor Juncker, cuja primeira deslocação foi à Grécia desejar ao então primeiro ministro Antónis Samarás voltar a encontrá-lo (no mesmo lugar, claro), depois das eleições. E já agora, perguntar como vai o caso dos submarinos (chega o dos portugueses, não vamos agora falar dos gregos).
Tendo começado este editorial a citar um alemão, não ficará mal acabar a recordar outro, Günther Grass (1927 – 2015, ver terceiro link abaixo) e o que ele pensava da reunificação alemã.
Propomos que cliquem nos links abaixo:
http://elpais.com/elpais/2016/07/17/opinion/1468790515_249452.html
https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-o-nobel-alemao-gunter-grass-1692209

