A questão dos refugiados, apesar de todas as negociações que têm sido levadas a cabo nos últimos dias com a Turquia, continua a agravar-se. Por um lado, mantêm-se as tensões nos países de origem de tantas pessoas que procuram refúgio na Europa, isto apesar das muitas negociações que têm sido feitas nos últimos anos a pretexto de as minorar. Examinando as posições dos vários intervenientes do processo dos refugiados, chegamos à conclusão de que não se vislumbra um encaminhamento satisfatório das respectivas situações. Vão continuar a ter um futuro muito incerto, para não dizer trágico. E isto acontece por haver, por outro lado, políticas desencontradas, de potências dominantes ao nível mundial, que afectam de uma maneira ou outra os países de onde são originários, e que têm de abandonar devido às condições de vida insustentáveis que ali têm.
A União Europeia (UE), em relação à qual Angela Merkel e o governo alemão se arrogam assumir o papel de porta-vozes, primeiro quis mostrar grande generosidade e capacidade, como que guiada por um grande espírito ecuménico, e com capacidade para acolher e integrar um grande número de refugiados (talvez seja melhor dito fugitivos). Poucos meses depois, já mudaram de posição e querem criar um dique que contenha a maré humana. A Turquia, onde se encontra neste momento o maior número de refugiados, por várias razões, a começar pela sua localização geográfica, pressiona, procura uma solução que a ajude, mas quer ao mesmo tempo tirar partido da situação, para resolver os seus problemas tradicionais, como impedir a secessão dos curdos. A Grécia, de longe o país da UE mais afectado por este afluxo de tanta gente, já anteriormente a braços com os resultados de governações desastrosas (muito anteriores à actual), com políticas de austeridade e a falta de solidariedade dos outros países da UE, está à beira do abismo (para não dizer que está a ir a pique). A ONU protesta, mas os seus meios de intervenção são escassos. Os Estados Unidos lamentam, mas não alteram as suas políticas no Próximo e Médio Oriente (e no resto do mundo), que muito têm contribuído para o actual estado de coisas. A Rússia observa, intervém, retira, e nota-se que procura sobretudo resultados a longo prazo, dentro do objectivo de sacudir a pressão para longe das suas fronteiras. Por todo o lado, recrudescem os nacionalismos, e as políticas de defesa de fronteiras, o que ajuda a explicar o sucesso de Donald Trump (mesmo que não ganhe as eleições), os governos de extrema direita na Europa Oriental e o Front Nacional de Marine Le Pen (apesar das fantasias dos chefes das instituições da UE), e a situação no Reino Unido, mesmo que o Brexit não seja aprovado no referendo de Junho próximo.
No meio disto, o que vai acontecer aos refugiados? Para mais informação propomos que acedam aos dois links seguintes:

