Os grandes incêndios florestais, a nível mundial, sempre existiram, mesmo em locais climaticamente pouco propensos à sua ocorrência, como sejam o Alasca, o Canadá ou a Sibéria e são um problema recorrente em alguns países, como por exemplo na Austrália ou nos EUA. No entanto, apesar de se tratar de um problema global não existe nenhuma definição consensual para a designação de um Grande Incêndio Florestal.
Em Portugal, é já de longa data a influência do Homem sobre a floresta através do uso do fogo (as queimadas).
Embora não sejam conhecidos muitos documentos escritos relativos a grandes incêndios florestais, os incêndios não eram considerados um problema-chave para a floresta portuguesa.
À medida que se começou a verificar uma maior concentração de combustíveis nas florestas, devido à redução do pastoreio, porque a população rural fugia para as cidades, por volta dos anos 50, os incêndios florestais começaram a ter mais expressão.
A mudança de estilo de vida destas populações provocou mudanças também no uso tradicional da terra. Muitas áreas florestais ficaram abandonadas. A paisagem florestal tornou-se vulnerável à ocorrência de incêndios de grandes dimensões, durante o Verão.
O que provoca os incêndios? Certamente que as temperaturas altas são uma das suas origens, mas também a mão humana o pode provocar.
Muitos incêndios foram provocados por pessoas e por razões diversas.
Muitos incendiavam áreas florestais por vingança contra alguém, por interesses económicos, pelo prazer de ver o fogo…
Sabemos que as pessoas que causam incêndios, os pirómanos, podem ser portadoras de distúrbios mentais, com indícios de alcoolismo, esquizofrenia e outros. No entanto, os pirómanos, os que agem pelo prazer, por um impulso não controlado sem haver motivação para tal, são estatisticamente muito poucos.
A questão da pirómania é algo preocupante, pois não existe ainda tratamento eficaz que afaste este tipo de comportamento, não há estatísticas sobre o número de pirómanos e a sua incidência, nem políticas de prevenção, nem consenso entre os profissionais de saúde sobre este estado de saúde mental.
O que se sabe é que o número de incêndios de grandes dimensões têm vindo a aumentar.
Como estancar esta tendência? As medidas encontradas terão de ser nacionais baseadas na história de incêndios em cada região, terão que passar por um registo das pessoas que já provocaram incêndios que terão que ser controladas quando chega o Verão ou eventualmente serem vigiadas com regularidade por um profissional de saúde.
Por vezes são pessoas anti-sociais, que assim, querem mostrar a sua importância, outras vezes vão assistir de perto e até ajudam a apagar o fogo…
O fogo fascina a Humanidade, qualquer criança gosta de ver uma vela a arder, um isqueiro aceso.
A imagem de pessoas que se juntam, a conviver, à volta de uma fogueira são desde que a Humanidade descobriu o fogo.
Os incendiários sentem uma certa excitação com o pânico social provocado.
Hoje em dia sabe-se que quanto mais visível são os incêndios, pela repetição exaustiva nos meios de comunicação e nas redes sociais, mais alento podem provocar em potenciais incendiários.
O reconhecimento público do crime tem que ser feito com contenção, porque a mente humana é insondável, como já tem sido demonstrado com outros comportamentos anti-sociais: uso de arma, violência gratuita, atentados…
Fazem-se petições públicas para castigar os incendiários, mas enganam-se porque por maior que seja o castigo este não acaba. São precisas medidas de prevenção, são precisos estudos sobre o comportamento e motivações dos incendiários, é preciso um outro sentido de cidadania.
O que poderei fazer para contribuir para baixar o número de incêndios perto da minha casa, dos meus terrenos? Certamente não é com o tempo de prisão máxima, se assim fosse as cadeias estariam vazias…