FRATERNIZAR – Nenhum papa declare e defina o que Deus não declara nem define! – Que crianças hoje querem ser Francisco e Jacinta?! – por MÁRIO DE OLIVEIRA
joaompmachado
Santo eu não quero ser / Só Humano / Um Deus que gosta de santos / é um tirano
Os dois desgraçados irmãos Francisco e Jacinta, aterrorizados e torturados em 1917 pelas pregações da obscena “Santa Missão”, decalcadas no terrorismo do livro Missão Abreviada, e apanhados pelos clérigos de Ourém, com destaque para o Cónego Formigão, também ele hoje já a caminho dos altares, e para o Pe. Lacerda, sobre cuja suposta cópia assenta toda a Documentação Crítica de Fátima (!!!), acabam de entrar, cem anos depois, no Catálogo dos Santos, pela mão do papa Francisco, ele próprio Sua Santidade. Quando aceitou ser papa, o argentino Jorge Mário desistiu de vez de ser filho de mulher, para ser definitivamente filho do Poder monárquico absoluto e infalível. Como jesuíta, já tinha voto de obediência ao Poder monárquico absoluto e infalível do papa, que fazia dele um dos abnegados difusores do seu sistema de doutrina, o cristianismo imperial, que almeja alojar-se como um demónio nas mentes-consciências dos seres humanos e dos povos de todas as nações. Como papa, veste de dominicano, o Grande Inquisidor, e faz-se chamar Francisco, o filho do dono de Assis no século XIII, que, depois, quis ser pobre, mas esbarrou com o fausto da corte papal de Inocêncio III e, sem querer, acabou fundador e patrono de mais uma das muitas multinacionais cristãs católicas romanas, a (des)conhecida Ordem dos Franciscanos.
Cem anos depois do teatrinho das aparições, levado à cena num dos campos dos pais de Lúcia, onde se destacava uma carrasqueira, o papa Francisco deixou a sua Roma imperial e veio de avião e de helicóptero à sede da sua principal multinacional do turismo religioso em Fátima, onde a toda a hora se lava dinheiro sujo e se fomentam negócios, os mais execráveis. Apresentou-se protegido por terra, mar e ar, não pelos anjos e arcanjos do Deus dos Exércitos da Bíblia judeo-cristã, mas pelas forças de segurança do Estado português que teve de gastar muitos milhões e de perturbar o quotidiano da esmagadora maioria dos seus cidadãos, elas e eles, que, felizmente, não embarcam neste embuste alimentado por clérigos celibatários que sentem uma doentia atração pelas criancinhas e pelas imagens de nossas senhoras que de algum modo substituem a presença feminina nos seus viveres cheios de frustração e solidão, de ritos, rituais e rotinas, nenhuma criatividade, nenhuma ternura, nenhuma fecundidade, nenhuma autenticidade. Só porque é o Poder monárquico absoluto e infalível, o papa teve a recebê-lo e a acompanhá-lo a tempo integral o seu vassalo presidente da República Portuguesa e até o primeiro-ministro, mai-los bispos residenciais das dioceses do país, estes, manifestamente contrariados. A saudável laicidade cedeu, por estes dias, o seu lugar a um tipo de crença rasca, sedenta de milagres do céu, uma vez que dos poderosos da terra só recebe, quando calha, migalhas da caridadezinha com que eles enriquecem ainda mais.
Inesperadamente, crianças e adolescentes do país e de outras partes do mundo, nascidos já neste início do terceiro milénio, viram-se-se transportados para o tenebroso ano de 1917, de má memória, e para as mecânicas rezas de terços, cantos rascas, clérigos cobertos com vestidos brancos até aos pés, num cenário que lhes é completamente estranho, por estarem hoje a crescer em ambientes e contextos totalmente outros, saudavelmente laicos e profanos, onde tudo é simultaneamente virtual e real, movimento quase à velocidade da luz. Do papa vestido de mulher, rosto teatralmente bonacheirão e o foco de todos os holofotes, como se só ele existisse, escutaram um falar beato, cujos conteúdos não entendem. Levados pela mão dos seus pais, sobretudo, das suas mães e pelas catequeses das paróquias que ainda são criminosamente obrigados a frequentar até à idade de atirarem com tudo borda fora, viram-se completamente perdidos, sem referências, numa camisa de sete varas, sem poderem ser eles próprios, correr e saltar, apenas aguentar e esperar que toda aquela tortura religiosa e beata acabasse. Foram, certamente, as horas mais infelizes das suas vidas, cercados por multidões anónimas, onde de repente se viram sem nome, sem rosto, sem voz, sem liberdade, sem árvores, sem terra, sem rios, sem mar, só velas a arder, imagens de nossas senhoras, cruzes, terços, centenas de clérigos que renunciaram a ser homens entre os demais e com eles. Uma tortura que dificilmente esquecerão e que irá contribuir e muito para, amanhã, serem assumidamente ateus, de costas voltadas para os templos, olhos postos em cada hoje carregado de movimento e de cor, onde têm de tornar-se precocemente adultos, se quiserem ser e viver por si próprios, como se Deus não existisse.
Entre estas crianças e adolescentes, uma se destacou. Veio do Brasil com os pais, viagens e estadia tudo pago pelo Santuário S.A. e com discursos estudados para ajudarem a testar que houve um milagre conseguido através dos dois desgraçados irmãos Francisco e Jacinta a quem, em seu tempo histórico, ninguém valeu, nem os clérigos, nem a senhora da carrasqueira, quando a pneumónica chegou e os encontrou debilitados e desidratados pela reiterada recusa da comida e da bebida de água, na falsa convicção de que, desse modo, o Deus sádico e cruel dos clérigos e do seu cristianismo, perdoaria aos pecadores e não os condenaria ao inferno. E toda esta encenação de horrores veio a culminar com a chamada canonização dos dois desgraçados irmãos, presidida pelo papa Francisco, num recuo de séculos até aos tenebrosos tempos da Idade Média, quando, hoje, somos Século XXI, definitivamente, o novo tempo da Ciência, não mais do Obscurantismo, do Milagrismo e do Moralismo .Sim”! Que crianças hoje querem ser Francisco e Jacinta?
Esqueceu-se Francisco de Roma, na cegueira do seu poder monárquico absoluto e infalível, que nenhum papa pode alguma vez declarar e definir como santos, o que Deus, o de Jesus, não declara nem define. Simplesmente, porque não gosta de santos, só de seres humanos a crescer de dentro para fora em sabedoria, ciência e graça-entrega recíproca uns aos outros, sempre com Deus, sempre sem Deus. Tudo o que faz e define o papa é o que faz e define o Poder compulsivamente mentiroso, ladrão e assassino, por isso, o inimigo n.º 1 dos seres humanos e dos povos. Deste modo, todo o mal que os clérigos há cem anos fizeram a estes dois irmãos e à prima deles que sobreviveu à pneumónica e acabou enclausurada a vida toda, acaba de alcançar agora, com esta rasca encenação maiúscula da papa Francisco, o nível máximo da degradação humana. O que perfaz, objectivamente, à luz da Fé e da Teologia de Jesus e da Ciência, mais um pecado sem perdão. Daí, e como bem sublinha a estrofe de um Canto-Poema meu, “Santo eu não quero ser / Só Humano / Um Deus que gosta de santos / É um tirano”.Quem for capaz de entender, que entenda!