O cónego criador das “aparições” de Fátima foi o primeiro director do semanário!
Quem diria que o cónego Formigão, o verdadeiro criador das “aparições” de Fátima, foi o primeiro director d’O Mensageiro deBragança que, neste início de Janeiro, completou 75 anos e, por esse motivo, teve direito a uns instantes de glória, na audiência papal, às quartas-feiras? A notícia é da RR, emissora católica, a preferida dos bispos portugueses e dos católicos portugueses, um privilégio que as outras igrejas cristãs em Portugal não podem custear, à excepção da luso-brasileira igreja universal do reino de Deus, de formação recente, que já dispõe de múltiplos pastores, qual deles o mais perito na arte de enganar, roubar, lavar dinheiro sujo, que nem a PJ se atreve a investigar, porque ela, tal como a igreja de Roma, está registada como igreja, não como banco ou empresa transnacional.
O curtíssimo vídeo que regista o momento, mostra o bispo D. José Cordeiro, sozinho, a cumprimentar o papa Francisco, no final da audiência, e a entregar-lhe em mão um exemplar da edição comemorativa dos 75 anos. A notícia da RR informa que foi uma delegação ligada ao semanário que se deslocou a Roma, constituída, entre outros nomes, pelo actual director, Pe. José Carlos Martins, e pelo actual administrador, Adriano Diegues, mas o operador do videogravador só teve “olhos” para o bispo de Bragança-Miranda, junto do papa.
O facto de D. José Cordeiro ter vivido anos e anos em Roma e ter vários cardeais, seus amigos que já chegaram a visitá-lo na sua diocese transmontana, certamente, para matarem saudades dos tempos em que se relacionaram mais intimamente com ele, até ele ser “chutado” para bispo, coisa vulgar num clérigo com ambições de chegar a cardeal e, porventura, a papa, terá conseguido abrir a porta a este momento de glória para o seu antigo companheiro de afectos e de favores. Todos os outros membros da comitiva são excluídos do vídeo, que o poder episcopal é monárquico, de um só, e os clérigos e leigos com poder político e financeiro, são apenas (lac)aios que ajudam a constituir a corte, que um qualquer bispo que se preze, sempre deve ter, muito mais, se a primeira diocese que coube em sorte a este clérigo transmontano, é lá no fim do mundo, se for vista a partir de Lisboa.
Mesmo assim, o director e o administrador do semanário tiveram direito a cumprimentar pessoalmente o papa e, nesse instante supremo, terão subido ao céu e jurado fidelidade ao poder eclesiástico, o mesmo que os faz viver diariamente muito acima do comum dos outros mortais, ainda que os não livre de serem mortais como o comum dos outros. Mas muito menos mortais que o comum dos outros, uma vez que os seus nomes constarão dos registos eclesiásticos e, por isso, serão sucessivamente lembrados e referidos, para sua vergonha, sempre que se falar dos cargos que desempenharam, nalgum dos pelouros da respectiva diocese. Como sucedeu, agora, no caso dos 75 anos do Mensageiro de Bragança que trouxe ao de cima o nome do seu primeiro director, o cónego Formigão, já em vias de beatificação/canonização. Para não ficar atrás dos dois irmãozitos, Jacinta e Francisco, vítimas mortais da senhora de fátima, precisamente, pouco tempo depois de lhes ter “aparecido” empoleirada numa carrasqueira, e à sua prima e vizinha, Lúcia. Coisa mais boba e macabra.
A crueldade eclesiástica sempre se veste de maravilhoso e de solene. Quando beatifica/canoniza, é porque os beatificados/canonizados prestaram relevantes serviços à sua igreja S.A. uma transnacional religiosa com sede em Roma, a do império romano, o mesmo que fez crucificar o judeu Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, e depois, fez dele o cristo-deus do seu império, mesmo assim, não o primeiro, mas o segundo, já que o primeiro era o próprio imperador. Sem estas e outras encenações, as populações depressa descobririam que todos os clérigos vão nus e que a instituição que faz deles sacerdotes e bispos, poder monárquico, é o institucional mais enganador, ladrão e assassino, muito mais que a casa real de David/Salomão do judaísmo bíblico e os próprios imperadores de Roma. Só encenações, como as “aparições”de Fátima de 1917, e a deste brevíssimo e nervosíssimo encontro de D. José Cordeiro com o papa Francisco, ajudam a perpetuar no tempo o abominável/intolerável institucional. Até que a morte, ao chegar, destrua tudo e reduza cada um deles ao essencial, do qual não faz parte nenhuma das suas múltiplas encenações.
Quem está radiante e deve ter quase levitado, na sua pequena estatura, é o bispo D. José Cordeiro. Ao ser cumprimentado pelo papa Francisco, sentiu-se um pouco papa, uma aspiração que qualquer bispo na sua idade alimenta, ainda que a probabilidade de tal vir a acontecer seja ínfima. Mas não se diz que a esperança é a última coisa a morrer e que o sonho do poder monárquico absoluto comanda a vida de todos os medíocres que têm um terrível pavor a serem seres humanos, simplesmente? Infelizes que são e que se sentem, quando, ao final de cada dia, têm de recolher sozinhos aos seus aposentos e, nesse hora, se vêem nus. Os pesadelos durante o sono são frequentes e quantas vezes maldizem o dia em que nasceram como filhos de mulher, em lugar de terem nascido como filhos do poder. Por isso, todo o seu ódio ao humano, o mesmo que os alimenta e mantém nas aparências, até que a morte os resgate. Tarde demais, por sinal, já que não há uma segunda oportunidade, que isso da reencarnação é engodo para todas as vítimas que o poder produz, que, assim, nunca se rebelam contra ele e tudo suportam. Até à próxima reencarnação, onde já nascerão “purificadas”, felizes. Bobagem!