ASSOCIAÇÃO DE COMBATE À PRECARIEDADE – PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – 3 PARTIDOS FORAM ALÉM DA TROIKA. ADIVINHA QUAIS?
joaompmachado
25 de Junho de 2017
nfs nuno ferreira santos – 2 marco 2013 – PORTUGAL, Lisboa – Manifestacão contra a Troika e as politicas do governo organizada pelo movimento “que se lixe a Troika”. O protesto comecou no marques de Pombal e foi ate ao Terreiro do Paço (Praca do Comércio), av. da liberdade. cartazes estrangeiros, espanhois
Um estudo de investigadores da Universidade Nova de Lisboa, publicado recentemente em revistas científicas veio confirmar o que já muitos sabiam. As medidas de desagregação dos serviços públicos e dos direitos laborais não foram só impostas pela Troika: foram negociadas e em alguns casos, propostas impopulares dos próprios Governos foram englobadas para ter o “carimbo” de inevitabilidade da Troika.
Os Governos do PS e do PSD/CDS não só tinham margem de manobra para negociar com a Troika medidas que não fossem no sentido de ataque à economia e ao Trabalho, como aproveitaram o pretexto para aplicar medidas ainda mais agressivas. Esta é a conclusão do estudo dos investigadores Catherine Moury e Adam Standring. Segundo os investigadores, que entrevistaram dezenas de Ministros, secretários de Estado, deputados da oposição e parceiros sociais, os governos de Sócrates e Passos Coelho “usaram a crise da dívida soberana para ultrapassar estrategicamente resistência às reformas”.
Um ex-secretário de Estado de Sócrates afirma inclusive que “em mais do que uma ocasião, propostas políticas que tinham vindo, por exemplo, do Ministro das Finanças, e que não tinham sido aceites em Conselho de Ministros, regressavam depois nas propostas da Comissão Europeia. Um ministro do Governo de Passos Coelho explica de outra maneira: “Por vezes é difícil ter a força política para fazer certas coisas e a troika ajuda a justificá-las. Por exemplo, há certas medidas na revisão da legislação laboral, como a redução das indemnizações por despedimento, que são muito difíceis de discutir com os parceiros sociais e, por isso, é útil haver pressão da troika para as poder implementar”.
Se tinha dúvidas sobre o pendor ideológico dos Governos em questão, Catherine Moury põe os pontos nos is: “Em vários graus, todos os três partidos que estiveram no Governo partilhavam visões liberais sobre a economia.”. E isto traduz-se em políticas de desregulação dos direitos laborais, destruição dos serviços públicos, em proveito do privado.
Um exemplo: a descentralização da contratação colectiva, segundo um dos entrevistados, “foi incluída no acordo porque estava na agenda do Governo e eles sabiam que teriam mais poder para seguir essa agenda se fosse uma obrigação do Estado.” Um sindicalista conta que não houve qualquer diálogo: “Os ministros disseram-nos: ‘Sabemos o que vocês pensam, mas nós não estamos aqui para chegar a um compromisso, não há nada a negociar’.