Sem que ninguém estivesse à espera, depois de seis meses de “seca”, eis que o super-papa Francisco – nunca outro o foi tanto antes dele, porque ele é o primeiro papa jesuíta, a quem todos os demais chefes de estado devem obediência e reverência e têm de beijar o anel – acaba de nomear D. Manuel Linda, bispo titular das Forças Armadas e de Segurança, para bispo titular do Porto. São assim os desígnios de deus, o do poder religioso que nos quer a todos super-infantis, sempre às suas ordens, dadas através dos seus representantes na terra, os poderosos, não as suas vítimas. O próprio, ao saber-se o escolhido por deus, o do papa de Roma, como bom militar bispo que é, não refilou nem contra-argumentou. E disse, Eis-me aqui, envia-me. E de imediato faz publicar no site da sua nova empresa, a diocese do Porto, uma mensagem de saudação aos seus súbditos, em 10 pontos. Onde não podia faltar a referência aos pobres e excluídos que, no seu escrever, serão objecto dos seus cuidados. Sem nunca deixarem de ser pobres, obviamente. Que seria dos clérigos graúdos e miúdos se não houvesse pobres para eles se lhes referirem, não propriamente para evangelizarem-libertarem-tirarem da sua pobreza imerecida e cientificamente produzida por uma teologia que empobrece e mata?!
Deste modo, D. Manuel Linda pode desde agora dizer urbi et orbi, E o Porto aqui tão perto! Ao contrário de D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, que, nesta altura, sonhava passar pelo Porto a caminho do Patriarcado de Lisboa, onde seria elevado a cardeal e, sabe-se lá, a papa de Roma depois, e que agora tem de dizer, no meio da depressão e frustração em que de repente se vê caído, E eu a ver o Porto por um canudo! Se bem que, esta referência à expressão popular portuguesa, “ver por um canudo”, lhe dê ainda alguma esperança de saltar de Bragança para Braga– ver Braga por um canudo! – cujo arcebispo está quase na idade de se tornar emérito, ao contrário dele, que está aí para durar, durar, como as pilhas duracel. Mas nunca se sabe os desígnios do deus do papa de Roma, para mais, jesuíta, alérgico a cardeais que não alinhem com ele e insistam no fausto e nas orgias de toda a ordem. Sem perceberem que não é por essa via que se ganha a admiração e o aplauso das multidões e até dos grandes grupos financeiros mundiais, todos crentes praticantes do seu deus, o Poder magno, simbolizado no Dinheiro, que tem todos os outros poderes menores ao seu incondicional serviço.
Entretanto, nem o novo bispo do Porto sabe o que o espera, ao aceitar trocar o remanso e o nada-que-fazer da diocese dos militares e dos polícias, para lá das anuais peregrinações a Fátima e a Lurdes, pelo saco de lacraus que vem encontrar à chegada. É certo que aqui tem mais oportunidade de brilhar, de viajar pelo território que é a empresa diocese do Porto, mas não tem praticamente clérigos à altura dos desafios deste início do terceiro milénio e os que tem não têm mãos a medir, não tanto com as actividades pastorais, mas com os seus muitos outros afazeres festivaleiros, próprios de solteirões sem Causas e sem Projectos, nenhuma espiritualidade. E depois aquele montão de dívidas que o seu antecessor, abruptamente, roubado para o céu pela ciumenta senhora de fátima, à qual ele levou a diocese a ajoelhar-se diante da sua imagem cega, surda e muda, deixou a quem lhe sucedesse. Nem o novo bispo sonha. Mas também não é isso que lhe vai tirar o sono, porque conta com a “obediência filial” até dos seus bispos auxiliares, que o aguardam com ansiedade, de tão órfãos que se têm sentido.
Meu caro Manuel Linda, Bispo. Tens-me aqui de braços e coração abertos. Quero encontrar em ti o Bispo da Igreja que está no Porto. Tenho de reconhecer que começas mal. Não me revejo na tua mensagem. Tens por isso de cair na conta de que a fé cristã-religiosa e o seu deus, são inimigos da Fé e do Deus de Jesus. Não me revejo na tua mensagem. Ou te descobres, aos 61 anos, bispo da Igreja-Movimento de Jesus que está no Porto, ou continuas caído na idolatria, a distribuir ópio e encenações às multidões oprimidas e cativas na injustiça. E, neste caso, melhor fora que não tivesses nascido.


