FRATERNIZAR – D. Manuel Linda, Bispo do Porto – PELA ARAGEM VÊ-SE QUEM VAI NA CARRUAGEM – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

O provérbio popular não engana. Como não engana estoutra afirmação, nele inspirada, Pela solene entrada na diocese, vê-se quem é o novo bispo do Porto. D. Manuel Linda é simplesmente mais do mesmo. Sem tirar nem pôr. Ei-lo, preocupado com os pobres, mas de imediato entronizado no palácio episcopal e na medieva catedral do Porto, com todos os outros poderes autárquicos e militares da região a seus pés. Impensável que assim não fosse. Bispo morto, bispo posto. Desde 1143 que é assim. Nem a República de 1910, nem o 25 de abril 74 alteraram este fado: a multidão do povo na base, as elites dos privilégios sobre ela e, no topo, o bispo, alter ego no Porto do papa em Roma. Muda o agente episcopal de turno, mantém-se o sistema cristão-católico romano, estruturalmente violento, hipócrita, mentiroso, populista.

A entrada é solene. Numa reprodução, à escala diocesana, do universo imperial de Roma, a de Constantino e, hoje, a do papa Francisco, o mesmo que escolheu, nomeou e impôs à diocese D. Manuel Linda. Sem que as populações do território fossem tidas ou achadas. Nem sequer os clérigos que estoicamente aguentam até à morte as paróquias que lhes são impostas. Nas quais muitos enriquecem, sem entretanto, chegarem a saber o que é a felicidade, a alegria, a paz. Muito menos, o que é a política praticada. São eunucos ocupados com míticos ritos e rituais, sempre os mesmos. O que perfaz uma sarcástica modalidade do velho suplício de Tântalo. Uma profissão sem futuro, já que as novas gerações preferem o desemprego a uma tal profissão clerical celibatária que um qualquer robot com inteligência artificial pode desempenhar ainda melhor. É coisa de robots, não de seres humanos. Mas nem os clérigos se apercebem, de tão castrados que são-vivem!

O novo bispo, 62 anos de idade, vem das Forças Armadas e de Segurança. Uma diocese não-territorial criada na sequência do Vicariato Castrense, de má memória, uma vez que nasceu no contexto da criminosa Guerra Colonial em África, para, desse modo, garantir um padre capelão militar a cada Batalhão dos três ramos das Forças Armadas. Já não bastava a Concordata de 1940. Ainda se lhe junta em 1967 o Vicariato Castrense. A simples criação de uma diocese castrense já é uma perversão. Aceitar ser um dos seus bispos titulares é o cume da perversão. Padre Manuel Linda aceitou. E mesmo agora, como bispo residencial do Porto, mantém-se administrador da anterior diocese. Numa acumulação de poderes que diz bem quanto ele e o papa que o nomeia são a negação de Jesus Nazaré e a afirmação histórica do mítico Cristo-poder invicto.

Pelas entrevistas já dadas, percebe-se-lhe uma enorme vontade de ser menos clerical no falar. No universo dos actuais bispos portugueses é o que se pode chamar um bispo jovem. Quer dar-se ares de “juventude”, mas apresenta-se sempre de col(eira)larinho branco ao pescoço. À semelhança do papa Francisco que até cativa ateus cristãos, só porque se dá ares de um “tipo porreiro” que nunca larga a batina branca. O problema é que é com tipos porreiros como o papa jesuíta Francisco e o novo bispo do Porto, D. Manuel Linda, que os grandes poderes financeiros que dominam os povos e os comem vivos melhor se entendem. Uma vez que as suas práticas e discursos são estéreis. Pior, confrangedoramente prejudiciais, porque cheios de ingredientes sonantes, mas vazios de Ruah, ou Sopro Feminino, o único Sopro politicamente mobilizador de todas as vítimas.

Ninguém me viu na entrada solene do novo bispo do Porto. A fazer lembrar a entrada de Pilatos, em abril do ano 30, em Jerusalém. Cujo, dias depois, é intimado pelos sumos-sacerdotes a ter de julgar e condenar no seu Pretório Jesus Nazaré e a executá-lo na cruz do império. Como presbítero da Igreja de Jesus jamais vou por aí. Tão pouco me limito a falar dos pobres. Sou eu próprio padre pobre por opção. Contra a pobreza e as causas estruturais que a produzem.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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