FRATERNIZAR – D. Manuel Linda, Bispo do Porto e das FA – REVOLUCIONÁRIO OU EVOLUCIONÁRIO? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Pode um bispo das Forças Armadas (FA) ser revolucionário? Ou tem de limitar-se a ser evolucionário?! Ninguém lhe perguntou, mas D. Manuel Linda, bispo residencial do Porto e simultaneamente Administrador da diocese das Forças Armadas e de Segurança, sentiu necessidade de vir a terreiro num artigo de opinião demarcar-se habilmente de um outro bispo, seu antípoda, Óscar Romero, de seu nome. Assassinado por esquadrões  da morte em 24 de Março de 1980. Enquanto celebrava a Eucaristia numa singela capelinha de um hospital de freiras da capital de San Salvador.

E tudo isto porquê? Porque o actual papa Francisco, também ele visceralmente incomodado com as radicais práticas político-teológicas protagonizadas por D. Romero, não descansou enquanto o não matou de vez e à sua memória politicamente subversiva. Já que, enquanto Superior provincial dos jesuítas na Argentina, sob o regime do ditador Videla, ao contrário de Óscar Romero, meteu-se a negociar-cooperar com o ditador. E, agora que é o bispo de Roma e papa, também graças a essa postura de então, decidiu canonizar no domingo 14 de Outubro 2018, o Bispo seu antípoda. Para assim o matar em definitivo e à sua memória politicamente subversiva. Uma vez que com a canonização conseguiu reduzi-lo a um caricato boneco de altar. Que, para cúmulo, ainda passa a dar muito dinheiro a ganhar à igreja.

É sabido que também o papa João Paulo II, já canonizado por Bento XVI, para com isso fazer esquecer os muitos crimes que cometeu a favor da igreja católica imperial de Roma, infernizou o mais que pôde a vida do bispo Óscar Romero. Nomeadamente, a partir do momento em que ele se converte em definitivo aos pobres. Quando os esquadrões da morte lhe matam o Pe. Rutílio Grande e os muitos camponeses que celebravam com ele a eucaristia dominical. De bispo conservador e frequentador das casas dos ricos latifundiários e dos palácios de oficiais militares de alta patente que era, passou a bispo de todos, a começar pelos mais pobres dos pobres, concretamente, os camponeses do seu país. Uma conversão que a Roma imperial dos papas viu e vê como alta traição.

É no decurso do funeral de todos os massacrados, que o bispo Romero, interiormente abalado, vê, com meridiana nitidez, o Mal estrutural que é o latifúndio-em-acção no seu país, sempre, mas sempre, protegido pelos esquadrões da morte. Chora inconsolável e muda radicalmente de ser e de Deus. Uma radical conversão ao Evangelho de Jesus, crucificado pelo império de Roma, hoje a dos papas, que teima em estar com os latifúndios-em-acção e todos os grandes ricos e poderosos do mundo. De modo que, entre o bispo-papa da Roma imperial e o bispo dos camponeses pobres, vítimas do latifúndio-em-acção e dos poderosos militares, há um abismo intransponível. A comprovar o dito de Jesus, ninguém pode servir a Deus e ao Dinheiro. Não está só o bispo D. Manuel Linda na sua obtusa postura de evolucionário. Até prova em contrário, todos os bispos residenciais são como ele. A Revolução antropológica-teológica de Jesus que o Bispo Óscar Romero vem a corporizar continua a não ter lugar nas mentes formatadas dos bispos-poder monárquico e sagrado. São frequentadores dos ricos, que dão algumas migalhas aos pobres. Pior, quando se é o bispo das Forças Armadas e de Segurança. Na sua cátedra, todos eles se pensam “sinal do Cristo cabeça, sacerdote e mestre”, no demencial dizer do Bispo de Bragança-Miranda, no aniversário 2018 da dedicação da sua catedral diocesana. E isto, porque, neste seu demencial dizer “a sede deve manifestar essa união entre cabeça e corpo, entre Cristo e a Igreja, entre o presidente e a assembleia.” Alerta, irmãs, irmãos em Humanidade! Eles não mordem, mas violam, roubam e matam. Em nome de deus. O do papa da Roma imperial. E do Dinheiro.

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