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UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (159) – Reposição

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8 de Dezembro de 2016

A CAPELA DA FONTE DA SENHORA

 

Quem passa pela rua de Bonjóia, e é muito pouca gente, não pode deixar de reparar numa minúscula capela, muito bem arranjada, e num obelisco que lhe fica ao lado.

A pequena capela foi erigida em memória da Fonte da Senhora e do milagre que lhe está associado.

 

CAPELA DA FONTE DA SENHORA

 

A história é simples e muito conhecida.

Tudo se passou no ano de 1722, no dia 22 de Março.

Nessa altura grassava uma enorme seca em toda a região. Os habitantes viviam desesperados, sem água para beberem, assim como para os animais, nem tão pouco para as regas. Toda a subsistência de um povo estava ameaçada.

Nada parecia solucionar o problema que a natureza lhes criava.

Até que um dia resolveram fazer mais uma procissão, levando num andor a imagem de Nossa Senhora de Campanhã, no sentido de pedir a ajuda divina para que chovesse.

Estávamos no dia 22 de Março de 1742, quando essa procissão de que falamos aconteceu.

Passavam os crentes na estrada que do Porto se dirigia a Campanhã e a Fânzeres quando a imagem da Santa caiu do andor, partindo uma mão.

 

FONTE DA SENHORA
(hoje, por baixo da VCI)

 

E, milagrosamente, por entre as pedras do local onde a imagem caiu, começou, no dia seguinte, a brotar água. E era água boa, pois que anos mais tarde, estudos feitos consideraram que tinha capacidades curativas para as moléstias do estômago e outras.

A prolongada e severa seca acabara, e o povo, como é natural, ficou contente. Anos mais tarde, cento e vinte para ser mais preciso, a população ergueu, no local, um pequeno monumento, um obelisco, consagrado ao acontecimento.

 

BASE E PLACA DO OBELISCO QUE HOJE SE ENCONTRA JUNTO DA CAPELA

 

Com o passar do tempo, a fonte acabou por ficar soterrada e o obelisco destruído.

Em 1956, iniciaram-se as primeiras tentativas, oficiais, para a restauração do fontenário, aproveitando para se construir uma nova memória sob a forma de uma pequena capela. Três anos depois, foi lançada a primeira pedra, e, foram precisos ainda mais dois anos, cheios de peripécias várias, para que em 2 de Julho de 1961 a capelinha fosse inaugurada, a alguns metros da fonte, em terrenos da Quinta de Vila Meã, oferecidos pela família Mitra a quem pertencia, na altura, a Quinta.

Mais uns anos se passaram e vamos encontrar a Fonte muito degradada e a necessitar de obras de restauro. E eis que surge a Via de Cintura Interna do Porto, que naquela zona veio agravar ainda mais a separação, já existente, das populações da zona mais oriental da cidade (Lagarteiro e Azevedo).

Com a construção dessa via, que passa mesmo por cima da Fonte, e quase por cima da casa da Quinta de Vila Meã, a Fonte parecia ficar no esquecimento. Mas não. A Fonte ainda lá está, arranjadinha, mas sem água, mesmo por baixo da nova estrada.

A capelinha, muito bonita, e o cruzeiro, reconstruído, também lá estão, bem restaurados.

 

INTERIOR DA CAPELA DA SENHORA

 

ARRANJO, COM LAVADOUROS, POR BAIXO DA VCI.
A FONTE ESTÁ AO FUNDO, VIRADA PARA A RUA

 

 

 

 

Conversas em Surdina 13

História e Memórias da Cidade do Porto

 

 

 

 

A 08 de Dezembro de 1930 suicida-se a poetisa* portuguesa Florbela Espanca, no dia em que completava 36 anos.

(*- e não, não “a poeta” como agora alguns dizem)

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