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UMA CARTA DO PORTO – POESIA – Por José Fernando Magalhães (583)

 

 

REFLEXÃO

A cadeira de lona convida à reflexão

O café fumegante desperta os sentidos

O sol, no seu ocaso, fala de amor,

De tempos idos,

De carinho e de paixão,

Antes da chegada dos ventos frios,

E o ar salgado do mar

Cheira a relva acabada de cortar.

O meu pensamento corre então

Ao encontro da tua voz,

Parando o tempo nas horas mortas…

E vi-te, minha paixão,

Minha vida vivida a sós,

Só por um momento, brevemente,

Na contraluz do sol,

Nua e transparente

Vogando ao de leve sobre o atol.

Depois,

Depois, só o reflexo salgado de espumantes ondas

Batendo fortemente nas rochas escuras, redondas,

E se estendem como um lençol

Preguiçando calmamente na areia,

Onde, bandos de gaivotas cansadas, sem veia,

Se viram cerimoniosamente, para os lados do pôr-do-sol.

 

OBS – poema publicado no meu livro

“A SECRETA VIDA DAS PALAVRAS À CHUVA”

Dezembro de 2023

 

 

 

 

 

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