– Quem não foi e não veio pela direita e pela esquerda da ribeira, de Viana a Ponte de Lima e de Ponte de Lima a Viana; quem durante alguns dias não viveu e não passeou nesta ridente e amorável região privilegiada (…), não conhece de Portugal a porção de céu e de solo mais vibrantemente viva e alegre, mais luminosa e mais cantante”. Ramalho Ortigão (1836-1915), em As Farpas.
António Cunha (1924-2015) integrou a casa de família na “porção de céu e de solo mais vibrantemente viva e alegre, mais luminosa e mais cantante” de Portugal. Foi em 1972. E de então para cá, a Quinta de Santoinho já recebeu mais de 10 milhões de visitantes, que ali revivem “a cultura tradicional da vida do campo, com as músicas e danças folclóricas, na companhia dos petiscos à base de sardinhas, frango assado, fêveras grelhadas na brasa e broa, regados pelo vinho verde da região e o conhecido champorreão, culminando com o saboroso e aconchegante caldo verde”. Em cada arraial são consumidas “12 mil sardinhas, mil frangos, fêveras de 40 porcos, 600 Kg de broa e 2500 litros de vinho branco e tinto, utilizando-se 30 mil peças de louça e 10 mil guardanapos de papel”. Os arraiais na Quinta de Santoinho começaram em Junho e terminam em Novembro, sempre aos sábados.
O empresário, que era o mais velho de 8 irmãos entretanto órfãos de pai, assumiu a condução da vida familiar e dos negócios. A actividade de transporte de autocarro, as excursões turísticas, a primeira agência de viagens do distrito as primeiras licenças de autocarros de aluguer em todo o país foram conquistas de António Cunha, que, como independente, foi, também, o primeiro presidente da Câmara de Viana do Castelo, após o “25 de Abril”. Democraticamente eleito pelos vianenses. António Cunha, que apenas cumpriu um mandato de três anos, não os desiludiu: sob a sua liderança foram criadas zonas industriais, construídas habitações para os mais carenciados, restaurado o Hospital Velho e foi criada a Festa da Mimosa, entre outras obras e feitos. O empreendedor também foi dono da primeira “boîte” da cidade de Viana, dos primeiros restaurantes típicos e dos primeiros cruzeiros fluviais.
Foto de Ana Soares Novais
Em Maio de 1972, António Cunha abriu as portas da casa de família à cultura popular. Nascia o “Santoinho”, que, 52 anos depois, continua carregado de futuro. Por vontade de Valdemar Cunha, filho do empresário cujo centenário do nascimento fez questão de festejar no terceiro dia deste mês de Agosto. Com milhares de forasteiros e a quem proporcionou uma festa de arromba, gratuita, que terminou já bem perto das duas da manhã com um espectacular fogo de artifício. Antes Augusto Canário, Zézé Fernandes, Sons do Minho, Quim Barreiros e Toy foram os amigos que a família Cunha convidou para animar a festa em honra do empreendedor e visionário que deu a conhecer o Alto Minho a Portugal e ao Mundo.
Agora, que as Festas Senhora d’Agonia estão aí à porta, convido-o a visitar o Alto Minho, a belíssima cidade de Viana do Castelo, a participar num arraial da Quinta de Santoinho e a visitar ali o Museu do Traje e o Museu dos Transportes. Tenho a certeza que ficará encantado com as gentes desta “ridente e amorável região privilegiada (…)”.

