A contas com o bem que tu me fazes A contas com o mal por que passei Com tantas guerras que travei Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas Meu peito feito campo de batalha Cada alvorada que me ensinas Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação É só inquietação, inquietação Porquê, não sei Porquê, não sei Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer Qualquer coisa que eu devia perceber Porquê, não sei Porquê, não sei Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas Na volta das respostas que eu trazia Quantas promessas eu faria Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho Pois falta sempre pouco pra chegar Eu não meti o barco ao mar Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inquietação, inquietação É só inquietação, inquietação Porquê, não sei Porquê, não sei Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer Qualquer coisa que eu devia perceber Porquê, não sei Porquê, não sei Porquê, não sei ainda
Cá dentro inquietação, inquietação É só inquietação, inquietação Porquê, não sei Mas sei É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer Qualquer coisa que eu devia perceber Porquê, não sei Mas sei Que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer Qualquer coisa que eu devia resolver Porquê, não sei Mas sei Que essa coisa é que é linda
José Mário Branco.
Estamos sempre entre a esperança e o desalento e estamos sempre com a inquietação a bater-nos na consciência. Porquê não sei, mas sei que essa coisa é linda.
E foi assim que foi lançado o 9º Festival Literário Internacional de Óbidos.
A Inquietação é individual e coletiva e, assim, abraçada por escritores, poetas, ilustradores, músicos, banda desenhada, boémia, exposições, professores, alunos…gente que quer parar, escutar o silêncio, saber ouvir…porquê não sei, mas sei que essa coisa é linda.
Foram mesas, foram conversas, foram entrevistas, foram bibliotecas escolares cheias de alunos.
Alexandra Santos com Athanine onde se encontra um mundo de magia; Maria Inês Almeida com “Diário de uma miúda como tu”; Bernardo Sant’ Anna com “A ilha e o Urso”, Isabel Peixeiro com “Leituras, contos e cantilenas”; Daniel Kondo, ilustrador brasileiro, e Carol Naine, projeto literário-musical com “ os desembarcados”; José Luís Peixoto, Viagens para ler, com “Viagens e literatura”; Luísa Lobão Moniz, com “A Escola e os Cravos”.
Todos estes jovens e crianças foram postos perante questões e inquietações, “ oh professora, porque é que o marido tinha que assinar um papel a dizer que não deixava a mulher ir a Espanha?”… porque é que os rapazes e as raparigas não podiam estar na mesma escola…mas eles quando iam para casa iam juntos, não iam? E quando iam a festas?” No livro “A Escola e os Cravos” as crianças foram desvendando que os seus avós não podiam dizer tudo o que pensavam, que foram para a guerra, que houve homens e mulheres que foram presos, torturados ou até mortos porque queriam dizer não, porque não queriam ir para a guerra, que queriam viver em Liberdade.
Muitas crianças gostavam de ser “soldados de Abril”, “Porquê os Cravos?”.