Site icon A Viagem dos Argonautas

Crises de civilização e de ensino, num mundo em profunda policrise — Parte II : Texto 17 – A caneta é mais poderosa que o teclado: Vantagens das notas feitas à mão em relação ao teclado – um resumo do texto de Pam A. Mueller e Daniel M. Oppenheimer . Por Joanna Penn

Se no início não conseguir encontrar-me, não desanime

Se não me encontrar num lugar, procure noutro,

Eu pararei em algum lugar à sua espera

“Song of Myself” de Walt Whitman

 

Parte II – A escrita manual e o desenvolvimento intelectual. Escrever é pensar, e pensar é o caminho para agir.

Escrever e ler são recíprocos. Ambos são necessários para que as crianças se tornem leitores e escritores fluentes

Autora anónima do sítio Learning for Life da plataforma Medium

________________

Nota de editor:

Retomamos hoje a publicação da Parte II da série Crises de civilização e de ensino, num mundo em profunda policrise, com os textos correspondentes ao nível 3 desta Parte II.

A ordem que se segue nesta Parte II respeita a progressão de dificuldade estabelecida pelo autor da série — N1, N2, N3 — com uma sequência interna a cada grupo pensada para maximizar a coerência de leitura: dos conceitos mais gerais para os mais específicos dentro de cada nível. O presente texto enquadra-se no Nível 3.

FT, 07/10/2026


Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

4 min de leitura

Texto 17 – A caneta é mais poderosa que o teclado: Vantagens das notas feitas à mão em relação ao teclado – um resumo do texto de Pam A. Mueller e Daniel M. Oppenheimer

Por Joanna Penn

Publicado por  em 30 de Julho de 2014 (ver aqui)

 

O texto original “The Pen Is Mightier Than the Keyboard Advantages of Longhand Over Laptop Note Taking”, de 23 de Abril de 2014, é da autoria de Pam A. Mueller e Daniel M. Oppenheimer, publicado na Psychological Science (ver aqui); usa três experiências para comparar a capacidade dos estudantes de lembrar e compreender informações dependendo de como tiram as suas notas.

 

Os estudantes jovens são frequentemente considerados “nativos digitais”, com a tecnologia integrada em todos os aspetos das suas vidas. Embora isso possa ser uma vantagem em algumas situações, a investigação tem mostrado que o impacto não é inteiramente positivo — a Internet permite que eles encontrem informações rapidamente, mas ao custo de distrações significativas em sala de aula, por exemplo. E quando os estudantes ingressam no mercado de trabalho, estudos mostraram que eles frequentemente têm dificuldade em avaliar a qualidade das informações, negligenciam recursos fora da Internet que poderiam ser úteis e, consequentemente, podem ficar aquém das expectativas dos empregadores.

O uso de portáteis e tablets em ambientes educativos continua a expandir-se — antes restrito às universidades, agora aparece até mesmo em escolas primárias. Os defensores da tecnologia sugerem que os estudantes beneficiam por poderem aprender ao seu próprio ritmo, mas alguns estudos indicam que as tecnologias da informação podem ter um impacto negativo no desempenho académico e até mesmo nas notas em provas. Embora haja considerável pesquisa sobre a eficácia do ensino em linha — como os cursos online abertos e massivos, conhecidos como MOOCs — os académicos ainda estão a avaliar como diferentes métodos de acesso e interação com a informação podem afetar a aprendizagem.

Para explorar estas questões, um artigo de 2014 publicado na revista Psychological Science, “The Pen Is Mightier Than the Keyboard: Advantages of Longhand Over Laptop Note Taking“, utilizou três experiencias para comparar a eficácia de tirar notas em aula à mão com digitá-las num portátil. Pam Mueller, da Universidade de Princeton, e Daniel Oppenheimer, da UCLA, dividiram grupos de estudantes — com amostras que variavam de 67 a 151 participantes — para assistirem a vídeo-aulas num ambiente simulado de sala de aula, fazendo as suas notas à mão ou no portátil. Para eliminar o possível papel das distrações, os portáteis  estavam com a internet desligada e outros programas desativados. Após a aula, os estudantes realizaram testes de memória de trabalho e, em seguida, foram avaliados sobre o que retiveram das aulas, seja de memória ou após consultarem as suas anotações. Os testes envolviam tanto perguntas factuais como perguntas de aplicação conceptual, elaboradas para medir a compreensão dos conceitos subjacentes ensinados nos vídeos.

O estudo foi elaborado para testar duas teorias sobre como a forma de tirarem as suas notas em aula pode afetar a aprendizagem. Primeiro, a “hipótese de codificação” sugere que o processamento durante o ato de tirar notas melhora a aprendizagem e a retenção. A anotação que é generativa — por exemplo, resumir ou parafrasear — é geralmente vista como indicativa de um nível maior de processamento cognitivo do que anotar textualmente. Em segundo lugar, a “hipótese de armazenamento externo” teoriza que a anotação permite que os estudantes revejam o material, o que se aplica mesmo que outra pessoa tenha feito essas anotações.

Os resultados do estudo incluem:

 

Os autores concluem que “utilização de portáteis pode afetar negativamente o desempenho em avaliações educativas, mesmo — ou talvez especialmente — quando o computador é utilizado para a sua função pretendida de facilitar a tomada de notas…. Por essa razão, o uso de portáteis em sala de aula deve ser encarado com uma boa dose de cautela; apesar da sua crescente popularidade, os portáteis podem estar a causar mais prejuízos do que benefícios nas salas de aula”.

__________

Sobre a autora: Joanna Penn é uma investigadora académica e redactora que colaborou com o projeto The Journalist’s Resource da Harvard Kennedy School’s Shorenstein Center. O seu trabalho focava-se em analisar estudos científicos, políticas públicas e o impacto económico e social dos media.

 

Exit mobile version