Parece que a União Europeia quer perdoar metade da dívida pública grega. O problema é que são bancos privados os credores de boa parte dessa dívida, e não estão para. E há três bancos portugueses entre esses credores, o BCP, o BPI e a Caixa. Eis-nos divididos: perdoar aos gregos seria conveniente (até para ver se nos perdoam daqui a uns dias), mas o dinheiro dos nossos bancos (nossos? Até parece o Angola é nossa. Alguém dá alguma coisa pela minha parte?) vai-se. Será mesmo de perdoarmos aos gregos, que dizem?
Consta que o Passos Coelho é contra o perdão à Grécia. Será que não vai pedir para Portugal o mesmo regime que parece que vão aplicar à Grécia? Se se confirmar, quando nos sentimos atrapalhados, podemos passar a dizer “vemo-nos portugueses” em vez de “vemo-nos gregos”. Não será bem por uma questão de patriotismo. É que neste caso há razões redobradas para atrapalhação.
De qualquer modo, esperemos que o Senhor Primeiro Ministro explique bem as suas razões. Entretanto, em França, o Nicolas Sarkozy (perdão, o Senhor Presidente Sarkozy), quer pôr o novel Fundo Europeu de Reequilíbrio Financeiro – FEEF a fornecer os fundos para a recapitalização dos bancos. Mas sem o Estado ficar com parte dos bancos, ou outro regime que se pareça. Estão a ver, nós pagamos, e os banqueiros vão jogar com os novos capitais. Parece que a única restrição que querem pôr aos banqueiros é não haver distribuição de dividendos sem o acordo do Estado. E já sabemos como é… fica escrito, mas depois se vê… Leiam a este respeito o artigo saído no Le Monde, do Georges Ugeux, que A Viagem dos Argonautas publica já a seguir, às 13.30 horas, traduzido pelo argonauta Júlio Marques Mota.
Os nossos militares estão a manifestar muita insatisfação com as medidas governamentais, a começar com a proposta de orçamento. Parece que não se poderá contar com eles, se se quiser entrar à Pinochet. Bem, o orçamento que nos querem espetar é do mesmo tipo do que foi imposto no Chile, quando o senhor general fez o que se sabe.. E o mentor é o mesmo: Milton Friedman. Já não está neste mundo, mas os sucessores abundam. Entretanto, há informações sobre a presença na Grécia da European Gendarmerie Force, criada em 2007, por cinco países, um dos quais Portugal.
Depois do ferro em Trás-os-Montes, do gás natural no Algarve, e de outras promessas, chegou a vez do ouro no Alentejo. Desculpem, mas, caramba, que fartura! E assim, no meio desta crise. Esperemos é que não seja como aqueles convivas, na festa, na Cidade e as Serras, que queriam extorquir umas massas ao Jacinto, e diziam que era para explorar rubis (perdão, seriam esmeraldas?) na Birmânia. E como o Jacinto hesitasse, perguntasse se havia estudos a comprovar a existência das esmeraldas, um dos convivas (com certeza já bem atestado), respondia: “Está claro que há esmeraldas! Há sempre esmeraldas desde que haja accionistas!”
Só para navegarmos mais um pouco, na Visão da semana passada, o Pedro Norton, diz, na sua coluna de opinião, que “…convém perceber o seguinte: Portugal compete no terrível campeonato da credibilidade. Genericamente percebido como mais um laxista país do Sul, merece tanta condescendência por parte da Europa civilizada como a que nós, cubanos, temos pela Madeira de Jardim. Zero.” Oh Pedro, desculpe, mas se fosse assim tínhamos sempre os buracos tapados, tal como tapamos os do Alberto João.

