A Grécia, ao fim de cinco meses de negociações, foi colocada perante os seus credores, perante as mesmas medidas de asfixia financeira. Com um toque de humilhação, os países do norte da Europa propõem mais do mesmo: autoridade. Os planos de ajustamento económicos levaram ao desastre: de 2010 a 2014 o PIB baixou de 25%, o desemprego passou a 26%, os salários baixarem 30%, a taxa de pobreza atingiu 36%, a dívida passou de 103% a 178%.
Sejam qual forem as opiniões, a Grécia da uma bela lição de coragem política, de defesa da soberania e da democracia. A Grécia necessita de tempo, como todos os países que precisam de reformas, mas o que a União Europeia propõe é uma redução do poder de compra. Não se pode condenar um país à autoridade perpétua. Parte da dívida grega pode ser renegociada e parte perdoada para relançar a sua economia. Fala-se muito que a dívida grega deverá ser paga por cada um dos europeus, mas esquecem de dizer que esses Estados emprestaram dinheiro com taxas de 5% quando o obtinham a 1%. Por exemplo os empréstimos franceses deram lucros de 2010 a 2014 de 729 milhões de euros.
A Grécia, berço da democracia, deu à Europa uma bela lição de democracia.
.

