O resultado do referendo da Grécia espantou uma data de gente. Muitos ficaram contentes, outros nem por isso. E houve mesmo quem, como o sr. Jeroen Dijsselbloem, presidente do eurogrupo, fosse até ao ponto de o classificar como “muito lamentável”. A senhora Merkel e o senhor Hollande juntaram-se ontem em Paris e mandaram uma mensagem a dizer, em resumo, estarem dispostos a ouvir propostas “sérias”. Tsipras tirou Varoufakis e vai à carga com o aval dos que já eram seus apoiantes e de partidos que apoiaram o sim. O vice-chanceler do governo alemão Sigmar Gabriel, ministro da Economia, social-democrata, diz esperar da Grécia propostas que vão mais além do que as apresentadas anteriormente, e também que além de que perdoar à Grécia significaria perdoar a Portugal, Espanha e Irlanda. Que conclusões se podem tirar? Algumas parecem evidentes.
Que a Alemanha está a assumir abertamente o comando da Europa. Já o exercia anteriormente, sobretudo desde a reunificação, mas agora é abertamente. A volta de Merkel por Paris terá sido apenas decorativa.
Que os sociais-democratas alemães parecem ainda mais assanhados que os conservadores. Ah, é verdade que o PSD é o Partido Social-Democrata cá do sítio. É perfeitamente claro que a hostilidade que manifestam em relação ao actual governo grego é muito influenciada pelo receio da propagação do efeito Syriza.
Que o referendo não parece ter dividido os gregos, ao contrário do que previam os comentadores e a comunicação social em geral. Simplesmente, Alexis Tsipras e o seu governo ficaram ainda mais condicionados na sua acção, o que, em princípio não é mau, mas faz aumentar a má vontade dos “credores”, já muito grande antes do referendo. É verdade que os gregos já tinham feito muitas concessões anteriormente, talvez demasiadas. E agora os “credores” vão fazer ainda mais força para os prender no seu círculo infernal: empréstimos→ dívida → negociações → austeridade→ estagnação→ mais dívida. Assim a Grécia nunca conseguirá recuperar, nem pagando com sangue, para lembrarmos a expressão de Varoufakis.
Alguns links para notícias acima referidas:


Desde ontem que ando a dizê-lo. Depois da alegria do nosso 25 de Abril.de 1974 só tivemos a satisfação imensa do 5 de Julho de 2015 dos gregos. Tudo quanto seja prejudicial para os continentais europeus – e a Grécia deu-lhes um bom pontapé – só pode ser-nos favorável, tal como para todas as Nacionalidades Oprimidas que, por esta Europa, não faltam.CLV.