Sobre a bomba de neutrões fabricada em Bruxelas e algures e já pronta para disparar sobre toda a zona euro – II
joaompmachado
Por Júlio Marques Mota
(continuação)
Levantamento de fundos a taxas próximas de zero para os países do centro e a taxas muito elevadas mesmo, para os países da periferia. A ilustrar a situação dos países periféricos tomemos como exemplo a Espanha de Rajoy, tomemos como exemplos os dados que os mercados de capitais nos fornecem:
Os títulos da dívida publica em Espanha, a 5 ou a dez anos, tanto faz pois as taxas são equivalentes mas este facto, extraordinariamente importante, aliado ao valor de ambas as taxas apresentadas quer dizer que estamos a entrar no domínio do impensável economicamente e quando assim é diremos que se está claramente à beira de um resgate total, da banca e do Estado, que teimosamente o governo de Rajoy teima em afirmar que o não é. E o caminho para se chegar à implosão da Espanha está praticamente a chegar ao fim. Disso nos dá conta a queda na Bolsa num só dia de que o gráfico abaixo é mesmo muito ilustrativo:
Pelo lado suíço, a fuga de capitais para a Suíça significa uma forte oferta de euros, os capitais que para aí fogem significam pois a procura de francos suíços, a contrapartida em valor desses mesmos euros. Por esta razão, a base monetária da Suíça aumenta vertiginosamente para que o Banco Nacional da Suíça continue a defender a taxa de câmbio estabelecida face ao euro e desta forma o Banco Nacional da Suíça continua a “imprimir” francos suíços (CHF) em resposta ao afluxo de capital que está a sair da zona euro. Como os residentes da zona euro trocam euros por francos suíços o Banco Nacional da Suiça compra estes euros e vende francos (os francos para o efeito são expressamente “impressos”) para manter assim a taxa de câmbio de 1,2 CHF por unidade euro. Como resultado, a base monetária da Suíça disparou para atingir o valor recorde de (CHF) 274 mil milhões. Graficamente temos:
Curiosamente olhem-se para os dois picos deste gráfico, pois um deles, o de 2011, significa a fuga maciça que se deu com a crise bancária de Agosto e Setembro de 2011, imputável a um rumor de uma crónica de ficção política, e o segundo pico representa a situação actual.