14 RAZÕES QUE NOS LEVAM A GARANTIR QUE A ESPANHA ESTÁ A CAMINHAR PARA O DESASTRE – VII. Por Júlio Marques Mota

14 razões que nos levam a garantir que a Espanha está a caminhar para o desastre – um trabalho de leitura imediata  feito a partir de diversos artigos de analistas financeiros, em particular de analistas a trabalhar no banco Société Générale e de colaboradores do blog Insider Business.

Júlio Marques Mota

(CONCLUSÃO)

13/14 Todos estes receios se têm reflectido nos mercados.

The IBEX 35 não tinha estado com valores tão baixos desde Março de 2003.

14/14 Enquanto o governo já emitiu 55 por cento da dívida este terá de financiar a despesa pública deste ano, problema que ainda permanece na esfera governamental.

A Espanha vai precisar de renovar cerca de  117,5 mil milhões de euros de dívida espanhola com vencimento este ano, com a maior parte a vencer-se  em Outubro, Novembro e Dezembro. Ele também tem que financiar o  défice de €52 mil milhões.

A emissão de dívida tornar-se-á muito mais difícil se o governo continuar a pagar taxas extremamente elevadas.

 Legenda: taxas dos títulos a dez anos

E as novas dívidas contraídas pelos resgates dos bancos  poderiam aumentar a quantidade de  dívida a emitir — e inflacionar as  preocupações dos investidores sobre a incapacidade do governo espanhol poder  pagar as suas dívidas.

E agora para  uma outra grande preocupação sobre o euro …

 Cillian Storm on Flickr

 

Conclusão

A Espanha e a Grécia estiveram envolvidos  em protestos violentos esta semana com os  cidadãos a manifestarem-se contra as medidas de austeridade nas ruas.

A maior e mais importante região  da Espanha, a Catalunha, ameaça agora separar-se  do país na base de reformas económicas controversas.

A Grécia está desesperadamente a  tentar  encontrar mais coisas que possa  cortar no seu  orçamento  e a realidade   no dia a dia torna torna-se cada vez mais comovente .

Até mesmo Portugal, um país que na sua maioria evita as grandes manchetes sobre a  crise nos dias de hoje, enfrentou grandes protestos nas ruas contra s políticas de austeridade na semana passada.

E este foi o calendário.

 Então, onde é que está  aqui a  falta de ligação?

A publicação em Espanha sobre os detalhes  do seu orçamento de 2013 é hoje  um exemplo perfeito de onde a podem encontrar. O orçamento é construído em torno do pressuposto de que o PIB de Espanha vai diminuir apenas 0,5 por cento no próximo ano. Mas, como muitos analistas apontam, essa suposição é descontroladamente fantasiosa.

E se esse pressuposto  não funcionar, não há ninguém capaz de poder  salvar a Espanha. Não o BCE. Não, a  Alemanha. Não o FMI.  Simplesmente, ninguém.

O director geral de estratégia cambial da Société Générale,  Kit Juckes,  ressalta que esta é a única coisa que todo mundo sempre parece esquecer com a crise, quando se olha   como os  bancos centrais que estão finalmente a chegar  para o resgate.

Numa nota para os seus clientes,  escreve:

Os protestos espanhóis e gregos fizeram  as caixas dos  jornais  e são um sinal de aviso de que o dinheiro do BCE não vai fazer com que a recessão  se vá  embora e até que uma estratégia de crescimento seja  implementada pelos  políticos da Europa, esta crise não pode ser conduzida para um fim satisfatório. O mercado cambial  está a tentar  fazer a sua parte, vendendo o euro, e o EUR/USD a 200 dias em média móvel a  1.2830 continua a ser a porta de entrada para uma aragem  fresca. Eu pessoalmente gosto da descida do euro face ao dólar e face à libra.

As autoridades da União ainda estão a jogar juntas, demasiado mesmo.  O Vice-Presidente da Comissão Europeia,  Olli Rehn, disse  numa  declaração hoje que  o novo orçamento da Espanha superou todas as expectativas da UE. Mas, novamente, é tudo baseado em suposições completamente irrealistas sobre o  crescimento que provavelmente não se vai materializar.

E isso significa que a crise na Europa vai continuar  – e assim  vamos assistir  a mais uns tantos sinais adicionais de  fadiga do euro nos próximos meses.

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