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A DETERMINAÇÂO DA TAXA LIBOR – PARTE II. Por Satyajit Das – VII

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

SÉRIE BANCA – 11
(CONCLUSÃO)

A determinar a banalidade ….

Descrita por Lord Mandelson como “a face inaceitável do sistema bancário”, o senhor  Diamond é um vilão ideal. A queda de um americano impetuoso não conhecido por  ser humilde  fornece um espaço narrativo adequado. A sua declaração no UK House of Commons Treasury Committee de que o “período de remorso e do pedido de desculpas para os bancos… precisa-se que venha a aparecer” cheira mesmo  a muita arrogância .

Traições  e amizades  quebradas são pois evidentes. O senhor  Del Missier, um dos homens  de confiança de  Diamond,   insiste que agiu de acordo com as instruções do  seu Presidente sancionado pelo BoE por ordenar ao seu pessoal que apresentasse propostas no sentido de  manipular a determinação da Libor. O Vice-governador Paul Tucker e o director de FSA Lord Turner estão a usar  este momento  para evitar danos colaterais e polir a reputação  dada a rivalidade entre ambos  para o alto cargo de governador de BoE. As sugestões de altos funcionários governamentais e o envolvimento ministerial adicionam um pouco mais de  intriga política. A concorrência  entre as grandes nações a procurarem dominar a finança global fornece um pano de fundo adequado.

Mas a determinação da LIBOR pode ser um exemplo simples de “beezle”. Palavra cunhada pelo economista John Kenneth Galbraith, esta palavra  descreve a fraude ou o desfalque que ocorre em situações de boom em que claramente as pessoas procurar tirar partido das condições favoráveis e da abundância de liquidez.

Tal como a venda de produtos complexos sem qualquer respeito pela ética, tal como  a incapacidade de gerir o risco, a manipulação de LIBOR realça claramente os problemas profundamente estruturais  dos grandes bancos e da finança global. Uma reformulação cuidada das funções  da finança na economia moderna e nas sociedades actuais é claramente necessária. Infelizmente, a história recente sugere que a vontade política para as necessárias acções de recorrecção não estão na ordem do dia.

Mas, tal como Al Capone, que foi finalmente condenado por infracção fiscal, os bancos ainda podem pensar que a determinação da LIBOR irá forçar a que haja mudanças significativas na regulação e na prática da actividade bancária, Numa época de super computadores e de instrumentos financeiros complexos poderá ser de uma deliciosa ironia se os bancos estiverem em risco de serem destruídos por uma  coisa tão banal como um velho processo de determinação de uma taxa de juro.

Satyajit Das, perito em mercados de produtos derivados e autor de Extreme Money: The Masters of the Universe e de   Cult of Risk e de Traders, Guns and Money.
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