Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
SÉRIE BANCA – 11
(CONCLUSÃO)
A determinar a banalidade ….
Descrita por Lord Mandelson como “a face inaceitável do sistema bancário”, o senhor Diamond é um vilão ideal. A queda de um americano impetuoso não conhecido por ser humilde fornece um espaço narrativo adequado. A sua declaração no UK House of Commons Treasury Committee de que o “período de remorso e do pedido de desculpas para os bancos… precisa-se que venha a aparecer” cheira mesmo a muita arrogância .
Traições e amizades quebradas são pois evidentes. O senhor Del Missier, um dos homens de confiança de Diamond, insiste que agiu de acordo com as instruções do seu Presidente sancionado pelo BoE por ordenar ao seu pessoal que apresentasse propostas no sentido de manipular a determinação da Libor. O Vice-governador Paul Tucker e o director de FSA Lord Turner estão a usar este momento para evitar danos colaterais e polir a reputação dada a rivalidade entre ambos para o alto cargo de governador de BoE. As sugestões de altos funcionários governamentais e o envolvimento ministerial adicionam um pouco mais de intriga política. A concorrência entre as grandes nações a procurarem dominar a finança global fornece um pano de fundo adequado.
Mas a determinação da LIBOR pode ser um exemplo simples de “beezle”. Palavra cunhada pelo economista John Kenneth Galbraith, esta palavra descreve a fraude ou o desfalque que ocorre em situações de boom em que claramente as pessoas procurar tirar partido das condições favoráveis e da abundância de liquidez.
Tal como a venda de produtos complexos sem qualquer respeito pela ética, tal como a incapacidade de gerir o risco, a manipulação de LIBOR realça claramente os problemas profundamente estruturais dos grandes bancos e da finança global. Uma reformulação cuidada das funções da finança na economia moderna e nas sociedades actuais é claramente necessária. Infelizmente, a história recente sugere que a vontade política para as necessárias acções de recorrecção não estão na ordem do dia.
Mas, tal como Al Capone, que foi finalmente condenado por infracção fiscal, os bancos ainda podem pensar que a determinação da LIBOR irá forçar a que haja mudanças significativas na regulação e na prática da actividade bancária, Numa época de super computadores e de instrumentos financeiros complexos poderá ser de uma deliciosa ironia se os bancos estiverem em risco de serem destruídos por uma coisa tão banal como um velho processo de determinação de uma taxa de juro.
