Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
SÉRIE BANCA – 11
(conclusão)
Prejuízos e Prejuízos …
A LIBOR não é utilizada em todas as transacções financeiras Elas são principalmente utilizadas em operações de volumosos empréstimos e entre os grandes operadores assim como nas transacções de produtos derivados. Os empréstimos nos bancos de retalho e para as pequenas empresas são baseados no custo da taxa base do banco e reflectem os custos do seu próprio financiamento. As taxas de depósitos nos bancos de retalho são raramente baseadas na LIBOR.
De acordo com US Office of the Comptroller of the Currency, a autoridade americana encarregar de supervisionar o sistema bancário americano, a proporção de hipotecas nos EUA com taxas calculadas a partir da Libor está directamente estimado em cerca de 2-3% de todas as hipotecas, com um total de empréstimos de 900.000 e no valor global de 275 milhões de milhões. A proporção de hipotecas do Reino Unido a taxas ligadas à LIBOR é semelhante. Nos EUA a predominância de hipotecas de taxa fixa torna a taxa de referência que é a Libor, uma taxa irrelevante.
A taxa LIBOR não é utilizada em alguns mercados devido a questões de ordem histórica ou a diferenças nas convenções tais como os protocolos de pagamento. Os mercados de produtos derivados e as operações de empréstimo na Austrália são estabelecidas a partir das regras estabelecidas pela lei bancária local (BBSW). As transacções nos EUA utilizam uma variedade de taxas, incluindo Prime Rate dos EUA ou a taxa de papel comercial dos EUA.
A manipulação pode indirectamente afectar as taxas de juros. Variações nas condições de financiamento por grosso podem afectar os empréstimos e as taxas de depósito. As hipotecas a retalho e os empréstimos por cartão de crédito são refinanciados através de operações de titularização, que estão ligadas à LIBOR.
A determinação das partes prejudicadas também não é nada fácil para não dizer que é mesmo complexa. Durante a CFG as baixas taxas beneficiaram os mutuários mas prejudicaram os depositantes. O conjunto das baixas taxas Libor penalizou aqueles que estavam a pagar a taxas fixas nos swaps sobre taxas de juro mas beneficiou os agentes de swap que pagavam a taxa variável e estavam a receber a taxa fixa.
Nas operações com produtos derivados, pode ter havido transferências de valor entre os bancos. Um trader de swaps diz que um grande banco se encontra do outro lado, na fixação da taxa, com interesses financeiros antagónicos. Traders ou serviços específicos dentro de um determinado banco podem ter diferentes interesses, designadamente, na determinação da LIBOR [ou seja, podemos ter um operador de swaps num dado banco interessado numa LIBOR mais baixa (por exemplo, se troca taxa fixa por variável) enquanto os seus colegas responsáveis por crédito hipotecário a taxa variável estarão interessados numa LIBOR a taxa mais alta]. Haverá também diferenças entre os bancos que contribuam para a determinação da Libor e aqueles que não fazem parte desse grupo.
Os utilizadores finais, as grandes sociedades ou mutuários a retalho e investidores, serão os principais agentes atingidos pela manipulação da Libor.
Um resultado perverso é provável em litígio. Como os bancos actuam principalmente como intermediários haveria uma transferência de riqueza entre as partes. Os perdedores vão processar os bancos que poderão ser incapazes de recuperar os seus prejuízos a partir das partes que podem ter beneficiado com a manipulação.
Os clientes a perseguirem os bancos é já passado. A visão dos bancos a processarem-se uns contra os euros e a procurarem obter outras compensações promete um triste espectáculo como entretenimento. Goldman Sachs (que não contribuiu para a determinação), alega que foi vítima inocente e os investidores não sofisticados podem fornecer uma boa base para o desenrolar da história.
