POBRES RICOS! TORNAM-SE CADA VEZ MAIS RICOS… – por JEAN-PAUL BRIGHELLI
joaompmachado
Selecção, tradução, montagem e notas por Júlio Marques MotaPobres ricos! Tornam-se cada vez mais ricos…
Jean-Paul Brighelli, Pauvres riches! De plus en plus riches…
Revista Causeur, 24 de Novembro de 2015
Os Estados Unidos vão bem, melhor para eles. O aeroporto de Los Angeles vai abrir uma ala especial VIP onde se poderá ser recebido confortavelmente por uma soma adicional entre 1500/1800 dólares para lá do preço do seu bilhete. Isto evitar-vos-á que se cruze os vossos fans, quando se é uma estrela ou muito simplesmente que se cruze com os pobres, quando se é rico.
E ricos, há por lá muitos — que são mesmo cada vez mais ricos, graças à crise. E dos pobres, há nos Estados Unidos muitíssimos — 46 milhões de Americanos alimentam-se graças aos tickets de ajuda alimentar.
O aeroporto, que nega ser particularmente elitista, sem dúvida para conservar a sua clientela do PS francês, faz notar aos meios de comunicação social que ficaram pasmados com tais estruturas, que põem as pessoas wealthy (as celebridades e os ricos) ao abrigo dos proletários, dos que não trabalham, que além disso andam frequentemente sujos, e enraivecidos, capazes de vos puxar pela camisa, já existem em Paris, Genebra, Londres, Amsterdão, Istambul, Dubai, Moscovo, Munique, Frankfurte, Madrid e Zurique. Aproximadamente, por toda a parte onde há um lugar financeiro importante. Desconfiem, leitores ricos de Bonnetdane, em Tóquio arriscam-se a ficar ao lado dos zé-ninguém.
Sinto-me bastante orgulhoso por ser cidadão de um país que dispõe já de guetos para multimilionários. Pobres ricos, coitados! Isto compensa os outros guetos, mais familiares, onde a miséria se junta ao alcoolismo, à desnutrição, à solidão, à falta de dentes em bom estado (e para mastigar o quê, digam-melá? Um pedaço de pão diário ou relativamente semanal, como dizia Prévert?).
Uns põem os seus filhos em escolas onde se pratica a “mixité” social uniforme. Outros vão para os Colégios de Elite tipo École des Roches:
Écoles des Roches
“Desde 1899, pode-se ler na introdução sobre o sítio deste campo de concentração para as upper class, a École des Roches coloca o aluno no centro do seu ensino, garantindo o seu sucesso escolar e o seu desenvolvimento pessoal em plenitude. A nossa abordagem é profundamente humanista e multicultural.” E a fotografia que acompanha esta profissão de fé pedagogista mostra efectivamente a mixité do local.
Recordam-se sem dúvida desta comédia musical dos anos 60, Um Violino no Telhado, cuja canção mais famosa é precisamente If I were a rich man. Norman Jewison (a quem se deve muitos dos filmes memoráveis, o Kid de Cincinnati, O Caso de Thomas Crow, No calor da Noite e outros ) realizou um filme famoso em 1971, oscarizado precisamente pelas suas canções. Que canta o personagem principal?
« If I were a rich man
Yubby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dum
All day long I’d biddy biddy dum/If I were a wealthy man »
Sim, é exactamente isto: Yubby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dum. Nada, portanto. «é necessário a mixité nos colégios»: Yubby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dum. « Nós vamos tomar medidas para combater Daech » : Yubby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dum. « O meu inimigo é a finança » : Yubby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dum. E assim sucessivamente.
O sector económico mais florescente hoje visa a manter os ricos afastados do povo. Ou os ministros. Os vidros matizados serão a partir do próximo Janeiro proibidos nos automóveis. Em teoria, para proibir a partir de agora que alguém se esconda por detrás dos vidros opacos. Com efeito, é para poupar aos poderosos, que terão todas as derrogações da terra sob o pretexto de segurança, de ver o que se passa na França periférica. Aí, onde se começam a levantar as forquilhas e a despir os Directores dos Recursos humanos.
Jean-Paul Brighelli, Revista Causeur, Pauvres riches! De plus en plus riches… Texto disponível em :