IMAGEM E POESIA – Por José Fernando Magalhães (47)
José Fernando Magalhães
SENTADO NO CHÃO
Sentado no chão Do lado de lá, Costas de encontro à porta cerrada Sufoco Sem rumo ou solução Ansiando o outro lado O de cá. Abraço os joelhos Abraço a vida e os meus receios Sem vontade de encetar a caminhada.
Que vontade de chorar Que frustração Que raiva A porta está fechada Já não ouço os meus conselhos Já nada me importa. Seguro as lágrimas Que querem saltar Que me querem prender ao chão.
Ansioso Acredito Levanto-me Elevo-me Levito Sacudo-me Tento voar … Voo de encontro à porta.
O mundo que carrego comigo Transforma-se num rugido E como que por encanto Desligo-me Transformo-me Já não há porta Aberta ou fechada Que me impeça a caminhada.
Já não há O lá e o cá E o ali O tempo não existe Nem o passado Nem o presente Nem a distância. Tudo é consciência Aprendizagem, certamente Espanto Ausência Constância Energia, Energia, essencialmente. Tudo tão próximo Tão aqui … Tão parte de nós, Que eu quase não a vi.