IMAGEM E POESIA – Por José Magalhães (87)

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QUASE NÃO VI

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Sentado no chão

Do lado de lá,

Costas de encontro à porta cerrada

Sufoco

Sem rumo ou solução

Ansiando o outro lado

O de cá.

Abraço os joelhos

Abraço a vida e os meus receios

Sem vontade de encetar a caminhada.

 

Que vontade de chorar

Que frustração

Que raiva

A porta está fechada

Já não ouço os meus conselhos

Já nada me importa.

Seguro as lágrimas

Que querem saltar

Que me querem prender ao chão.

 

Ansioso

Acredito

Levanto-me

Elevo-me

Levito

Sacudo-me

Tento voar …

Voo de encontro à porta.

 

O mundo que carrego comigo

Transforma-se num rugido

E como que por encanto

Desligo-me

Transformo-me

Já não há porta

Aberta ou fechada

Que me impeça a caminhada.

 

Já não há

O lá e o cá

E o ali

O tempo não existe

Nem o passado

Nem o presente

Nem a distância.

Tudo é consciência

Aprendizagem, certamente

Espanto

Ausência

Constância

Energia,

Energia, essencialmente.

Tudo tão próximo

Tão aqui …

Tão parte de nós,

Que eu quase não a vi.

 

 

 

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