
Resulta curioso como essas mentes enérgicas e fardadas à moda efetiva e convencional das corporações, repetem-se e interatuam agitadamente, sem pausa, entre tantas e tantas instituições, empresas, projetos, num ritmo cada vez mais acelerado de ação, análise e decisão por entre os milheiros de dados, inputs e informações com que nos envolveu a Sociedade da Informação.
Pertencer aos grupos de poder, bem por herança, bem por agenda e relacionamento, bem por uma concatenação de acasos e casualidades é fundamental, pois isto permite o tránsito pelas mais diversas funções, postos diretivos, nas grandes empresas, nos governos, nos espaços académicos, na imprensa e na T.v. Sempre tomando decisões, sempre aconselhando, sempre falando. Não é saber o que mais importa, e também não é a lógica, nem a análise precavida de consequências futuras o que se prioriza. Mas é apenas isso tudo, qualquer cousa que movimente o dinheiro, que é o que movimenta o mundo.
Qualquer pessoa tarda meses, em se adaptar a um novo trabalho, anos para aproveitar em plenitude e com experiência. Tarda-se tempo em compreender, muitas horas em ter mão, como qualquer operário especialista ou artesão, em se habituar e tirar partido dos ritmos do posto de trabalho, em ser experiente no uso das ferramentas, em compreender a comunicação, a estrutura, os procedimentos, os regulamentos, em ter assimilada a visão do conjunto e os protocolos particulares, o conhecimento dos companheiros e pessoal às ordens, o funcionamento de qualquer grupo, sociedade, instituição e empresa.
É difícil imaginar como um cérebro pode ser competente sempre e em todo assunto e disciplina, imaginarmos como podem desempenhar com eficácia de técnico ou profissional um trabalho diretivo, uma chefia nos mais diversos ministérios, como se pode gerir e escalar nos aparatos dos partidos, como se pode ser executivo de empresas de tecnologia, comunicações, armamentista, biomédicas, agro-alimentares, energéticas, conselheiro dos mais diversos mass média, fundamental em conselhos de administração de bancos, grandes bufetes, organismos internacionais… entrando e saindo ou ocupando ao mesmo tempo os mais diversos e extenuantes postos.
Visto desde fora, com aquela ingenuidade crítica do miúdo, ou visto agora de longe com a experiência sarcástica dos anos, diria que o pessoal toma as mais importantes decisões sem pensar, priorizando a ideia de que um pronto enérgico, um grito de mando prestigia a quem o sabe dar. Mas na realidade é tudo teatro, casualidade, acaso, sorte ou azar.
Mas e a fim de contas, qual é a novidade? o “troppo” é velho: a alegoria do mundo humano como uma nau cujos doidos tripulantes nem sabem a governar mais que ao acaso, nem os loucos passageiros querem saber para onde estão indo.
