A GALIZA COMO TAREFA – inimizades – Ernesto V. Souza

 

 

 

 

Ultimamente não deixo de pensar em tantos e tantos debates que tratei de abrir quando era mais novo: questões políticas, literárias, intelectuais, históricas ou que achava pertinentes e que pretendia expor desde o que eu entendia democrática liberdade de opinião mas que terminaram irritando outras pessoas, derivaram em absurdos conflitos, e como consequência deram fruto como ridículas e ferozes inimizades pessoais.

É ridículo talvez dizê-lo mas essas inimizades fecharam justo os espaços laborais, intelectuais, sociais e os políticos que me interessavam. E privado desses espaços comuns e sem coletivo à vista, para mim não há trabalho nem tarefa possível que tenha sentido. Acho que por isso emigrei, por isso continuo a emigrar cada vez mais longe.

Com os anos, de mais valor que a amizade, afinal uma paixão que por vezes se rompe ou ensombrece, vou achando a capacidade de respeitar às gentes e a admirar – cada vez mais – essa forma tranquila de tolerância que consiste em procurar não ofender os amigos.

Sem dúvida e dentro do meu geral cepticismo valoro mais a paz que a amizade e mais a amizade que a verdade, que francamente cada vez sei menos que cousa venha sendo para além do nome sério da mentira.

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