
Ao tentar fazer um rescaldo do desastre dos fogos do Pinhal Interior, o choque maior dá-se, sem margem para dúvida, quando se nos impõe o facto de que esse desastre teria, muito provavelmente, sido evitado, ou pelo menos, muito mais reduzido, caso tivessem sido tomadas medidas já anteriormente preconizadas, mesmo a nível oficial. Trata-se de medidas com as quais concorda a grande maioria das pessoas, desde as familiarizadas com a problemática da biodiversidade, da sobrevivência das florestas e das matas e o seu aproveitamento económico, até o cidadão comum. É indispensável tentar perceber porque é que essas medidas não foram postas em prática.
É verdade que não podem ser ignoradas questões como a influência das alterações climáticas, ou a possibilidade da ocorrência de acções criminosas. Mas a possibilidade de ocorrência de factores como estes torna ainda mais urgente a aplicação de medidas já preconizadas, mas constantemente adiadas. É verdade que levará muito tempo a conseguir inverter o despovoamento de territórios sujeitos desde há muito a vagas de emigração causadas por ciclos de empobrecimento para cujas origens se encontram causas diversas, é verdade, mas de que se devem destacar como particularmente negativas iniciativas como a campanha do trigo de 1929, a intensificação da cultura de tomate na década de 1960, e claro as plantações de pinheiro bravo e eucalipto em largas extensões. Mas chegou o tempo (esperemos que não seja tarde demais) em que é preciso deixar as monoculturas e as iniciativas (pretensamente) miraculosas e dar prioridade aos cidadãos.
Propomos que cliquem nos links abaixo:
http://www.esquerda.net/artigo/parlamento-aprovou-em-2014-reducao-do-eucaliptal-portugues/49449
https://www.meteopt.com/forum/topico/monoculturas-de-pinheiro-no-algarve-e-baixo-alentejo.8255/

