EDITORIAL – UM PAÍS QUE QUER SER MAIOR – por João Machado

Os líderes portugueses, ao longo dos tempos, têm procurado cultivar a ideia de que Portugal é um grande país, ou que deveria  ser considerado como tal, insistindo na grandeza da sua história. Terá sido a maneira encontrada de nos empolgar a todos, portugueses, para enfrentarmos melhor os desafios do mundo moderno e contemporâneo. Entretanto, não  poucos observaram que tal insistência terá sido feita antes com o objectivo de desviar as atenções dos desastres  resultantes da acção dos maus governos desses líderes a que, também ao longo dos tempos, temos estado submetidos.

Queremos pensar que as diligências que estão actualmente a ser desenvolvidas, junto da ONU, no sentido do alargamento da plataforma continental sob a jurisdição portuguesa para além da zona económica exclusiva (ZEE), que actualmente se estende até 200 milhas marítimas da costa. Se bem compreendemos os elementos a que conseguimos aceder, no caso das negociações serem bem sucedidas, a área da plataforma continental sob a alçada de Portugal, somada à ZEE e à do território emerso, totalizaria cerca de 3,8 milhões de quilómetros quadrados, cerca de 40 vezes a deste último (92 mil quilómetros quadrados). Deve-se referir que a jurisdição sobre a plataforma continental abrange o solo e o subsolo submarinos, mas não a coluna de água que os cobre, ao contrário do que sucede com a ZEE portuguesa.

Partilhando do optimismo que transparece das (poucas) notícias que há sobre as negociações que decorrem, há contudo que chamar a atenção para a necessidade de se reforçar a capacidade nacional naquilo que muito abreviadamente designaremos por investigação e desenvolvimento, isto é, de aprofundar significativamente o conhecimento científico de toda a área abrangida, nos mais variados aspectos, e de em toda essa área desenvolver projectos que concretizem eficazmente a nossa presença, nos campos económico, da defesa do ambiente e até da recreação. Será de ter em atenção a importância acrescida que os arquipélagos dos Açores e Madeira necessariamente terão em todo o processo, implicando opções claras de quem de direito. E recordar que problemas semelhantes aos que têm estado a ocorrer no país, como o dos incêndios que tantos problemas estão a causar, e do horrível acidente hoje ocorrido na Madeira, têm de ser prevenidos e quando não se conseguem evitar, dar-lhes uma resposta pronta e segura. O alargamento de Portugal terá de ser correspondido por um alargamento ainda maior das suas capacidades e competência.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

http://www.dn.pt/portugal/interior/portugal-tenta-duplicar-territorio-maritimo-8703814.html

http://www.emepc.pt/pt/

https://www.publico.pt/2017/08/15/ciencia/noticia/novo-mapa-reclama-mais-area-na-onu-sobre-os-fundos-marinhos-1782352

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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