24 de Março de 2016
O CINE-TEATRO VASCO DA GAMA
João Leite da Gama, residente na ilha de S. Miguel, nos Açores, era sobrinho de umas primas de Bernardo de Lemos Carneiro de Barbosa. Este, era um capitão de milícias da Maia, que no século XVIII comprara uma quinta na Foz do Douro onde se instalou, morrendo pouco tempo depois, sem deixar descendência.
As primas, que viviam em Celorico de Basto, herdaram a propriedade de Bernardo Barbosa, e, tempos depois, doaram-na ao dito sobrinho que vivia nos Açores.
João Leite da Gama mudou-se de “armas e bagagens” para a sua nova propriedade.
Empreendedor, abriu algumas ruas e edificou um teatro, que denominou de Vasco da Gama.
Terá durado pouco tempo, este Cine-Teatro. Sabe-se que estava instalado num grande edifício, com camarotes, plateia e geral, e que já funcionava em 1887. Sabe-se também que ainda exibia programas de cinema mudo no início do século XX. Diz-se também que o edifício, após ter deixado de funcionar como cine-teatro, terá servido de sede ao Ginásio Clube da Foz.
O Teatro já não existe. Não se sabe onde ficava o edifício onde funcionava, não existem fotografias do prédio, cartazes ou programas das sessões, excepto a planta do teatro (existente no Arquivo Municipal do Porto).
O edifício terá sido demolido por volta de 1945.
Para a memória ficou unicamente o seu nome na rua onde esteve instalado, Rua do Teatro.
Diz-se ainda que o bloco de habitação existente nesta rua, com uma fachada minimalista e com projecto da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, datado de 1992, estará instalado no lugar do antigo teatro, mas não há quaisquer certezas uma vez que também há quem diga que o local do antigo teatro é o do prédio amarelado situado um pouco acima desse.
EM PRIMEIRO PLANO O EDIFÍCIO AMARELADO, E MAIS AO FUNDO, O EDIFÍCIO (ESCURO) DA AUTORIA DO ARQ SOUTO MAOURA
Talvez nunca cheguemos a saber ao certo o local exacto, sendo esse um dos mistérios em que a Foz do Douro e de uma maneira geral o Porto, são ricos.

