Quando de se enxerga a Galiza querendo perceber algo da sua singularidade, convém reparar em três constantes: a antiquíssima e densa habitação do território, a fragmentação ou repartição em sub-territórios (países/comarcas) de muito velho definidos e a auto-sustentabilidade especializada das comunidades radicadas neles.
Isto tudo tem definido desde épocas remotíssimas, uma divisão administrativa, ou política, do território local que tem sobrevivido até aos nossos dias e que provavelmente nas suas linhas principais já estava definido muito antes de os Romanos chegarem.
Efetivamente, a Galiza tem um modelo territorial próprio fixado que já o cristianismo e os Suevos aproveitaram e que reflete essa realidade muito anterior; mas presente ainda na consciência coletiva atual, pela que a gente ainda se identifica, mesmo duas gerações depois de terem abandonado espaços já mesmo inexistentes.
E esta territorialidade é estrutural, e está definida perfeitamente pelos caminhos antigos e marcada em unidades pelas feiras e mercados populares (e portanto daí os dialetos e costumes que deveram ser leis) centralizada nas cabeças de comarca que se comunicam por sua vez estruturando as estradas e o comércio.
Territórios especializados e com proveitoso intercâmbio desde antigo a toda escala (local, inter-territorial, internacional), capazes de albergar populações tamanhas, repartidos e bem comunicados, com a característica de se tornarem estanques e autodefendíveis em caso bélico.
Paróquias como unidades naturais comunitárias e comarcas (depois condados e mais tarde feudos) como unidades políticas administrativas, subjazem ainda às modernas e estrangeiras divisões de concelho e província.
O referente mais característico que tem a Galiza, mais que a língua mesmo, é o território. Cada paróquia é uma célula de universalidade e cada comarca, um país ou uma nação, segundo empreguemos a terminologia antiga ou moderna. Por isso, a Galiza, que é apenas um nome administrativo romano para o local de Terra, pode ser minguante ou crescente em território ao longo da história antiga e da moderna. Cada paróquia [freguesia] é soberana e poder criar, segregar uma nação, pode integrar outras nações, pequenas, médias e mesmo grandes… ou perdê-las…
