A GALIZA COMO TAREFA – caminhos e barreiras- Ernesto V. Souza

Diz um dito que as Montanhas são barreiras, mas os rios caminhos. Ainda hoje, depois de dous séculos de transformações geográficas marcadas por grandes infraestruturas terrestres (barragens, pontes, vias férreas e estradas) quando percorremos a Península Ibérica de Norte a Sul ou de Sul a Norte percebemos contrastes fortes, mudanças evidentes de clima, paisagem, culturas agrícolas e mesmo modos das habitações,  formas e agrupamentos das casas.

Há caminhos novos, alguns ainda em obra e caminhos feitos, que eram velhos quando Roma os aproveitou, mas não é surpreendente ao percorrê-los – e mais nas grandes mudanças de ciclo estacional –  abandonar subitamente o inverno para entrar na primavera ao atravessar umas montanhas, ou que nos suceda passarmos dum morno estio a uma estação mais fria.

Mas e a contrário? que sucede quando percorremos a Península de Leste a Oeste ou de Oeste a Leste? Podemos viajar pelo norte das Montanhas Cántabras e ao sul delas do Ebro até ao Atlântico seguindo pelo Planalto norte os vales dos grandes afluentes do Douro. Podemos percorrer o Tejo de Lisboa até às abas manchegas do Sistema ibérico e pelo vale do Guadiana cara Toledo e o centro e daí baixar pelo Jucar até Valência.

Grandes espaços horizontais e passagens verticais em forma de grandes caminhos que foram configurando redes comerciais entre abastados núcleos urbanos, sub-espaços vilegos, e até uma rede de paragens estrategicamente situadas a distância de léguas e aproveitamento de jornadas.

O conjunto dos grandes planaltos definem ainda os territórios costeiros. Mas se divididos os planaltos pelos sistemas montanhosos (Cantábricos, Central, Ibérico, Sierra Morena e Bético) estão definidos pelas bacias dos grandes Rios que discorrem de Leste a Oeste: Minho, Douro, Tejo, Guadiana e Guadalquivir e pelo do Ebro que define claramente os outros espaços territoriais, culturais e históricos do Leste da Península.

piberica3D Após o Ebro, os vales pelos Pirineos, continuam-se em paralelo e quase independentes uns dos outros, até as regiões francesas definindo também os velhos relacionamentos e espaços linguísticos e dialetais.

O território Português fica também dividido muito marcadamente pelo Tejo, a norte as montanhas galaicas, leonesas e os contrafortes mesetários, descem sobre as beiras numa sucessão de vales, ao Sul o território estende-se para Leste, sem acidentes geográficos que possam ser considerados barreiras.

A percorremos as bacias dos grandes sistemas fluviais da península, no espaço e no tempo, poderíamos constatar que os contrastes são menores, muito mais graduais; e que na Península Ibérica as separações políticas e a centralização são mesmo contrárias a uma lógica geográfica que ainda está presente na toponímia, folclore nos rasgos linguísticos dialectais, nos costumes, nos hábitos alimentares, nas respostas do homem a clima, terra e paisagem, presentes nas Regiões da Espanha e de Portugal.

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