És tu a minha ilhota, por muitos amada E nunca antes cantada És tu a ilha do Porto, da Foz do Douro E foco do olhar nos poentes de ouro És tu, eterna e indiferente ao passar do tempo E fustigada pelo mar, pela chuva e pelo vento És tu, o símbolo do sonho e da procura do real E para todos, um mistério referencial És tu, de viagens imaginárias, o meu ponto de partida E sempre sem um regresso, somente de ida És tu, mágico instrumento dos meus desígnios que nos dias calmos nos enfeitiçam E ainda as ondas que, remansosas e em murmúrios lentos à tua volta se espreguiçam És tu, onde há quem jure vislumbrar as sombras, em noites sem fim E o fantasma do saudoso Rei, como se as brumas fossem as de Arguim És tu, uma insignificante rocha emergindo de um mar de breu E conhecida no Mundo inteiro como O Penedo Do Gilreu.