IMAGEM E POESIA – Por José Fernando Magalhães (48)
José Fernando Magalhães
UM QUALQUER APREÇO
Já não sou eu, Repetidor de realidades Repetidor de experiências, Esse mundo morreu! Nada faz sentido algum. Lá se foi o afeto Lá se foi a emoção Lá se foi o teu cheiro diferente Na paixão. Já não sonho com cartas perfumadas. Enveredo por caminhos do futuro Território desconhecido Cheio de possibilidades firmadas. Nada sei, por isso E saberei cada vez menos Do que procuro, Outro corpo Outra alma Ou nada disso. Vozes mudas, aos milhares Segredam nomes do passado Entregam-me o que escuto E uma imagem diluída Num vazio gravado Noutras vezes, apenas luz Ou sombras Ou palavras que alguém me quer dizer Do encontro entre a morte e o amor Da perda, do sentido e do prazer De dentro de ti ver o mar Entre o Céu e a terra, Um sentido inovador Ou um simulacro O fim de um começo Ou vice-versa Um pensamento sacro Ou um qualquer apreço.