Quando escrevo Não envelheço Olho os livros que enchem a casa Respiro o tempo e as palavras Que não mereço Olvido os nomes e as datas Que alguma vez tenha dito Torno presente o ausente E o antigo Relembro a cama, o lençol, o livro lido Mantenho o amor acordado A perda, a morte O dia maldito E a partida do amado.
Quando escrevo Tudo mereço Ouço as vozes esquecidas Transformo a perda em ganho E reconheço Na intimidade e na tragédia Um problema qualquer Um sentimento E um tema Na imagem da mulher Da mãe, do amigo Ou no que der.
Quando escrevo Escrevo a vida Sem nunca envelhecer Um amor tamanho O poder Da palavra Do tempo E da perda. Escrevo para não esquecer.