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RETALHOS DA VIDA DE UM CANTAUTOR/9 -«Rei da Rádio»-por Carlos Loures

No ano de 1971 José Afonso é, pela terceira vez consecutiva, distinguido com o prestigioso prémio da Casa da Imprensa.

Em 1972, no meio de grande polémica, é eleito por votação dos leitores do Diário de Lisboa, como «Rei da Rádio». Intelectualmente, o concurso estava mais do que desprestigiado, pois a eleição contemplara nos anos anteriores cantores ligados ao chamado «nacional-cançonetismo» (classificação criada pelo jornalista e escritor Mário Castrim). Uma campanha nacional de compra de postais leva o Zeca a vencer um concurso feito à medida de António Calvário, Artur Garcia, António Mourão… Creio que o jornal deixou de organizar o popular concurso, concebido para que a coroa coubesse na cabeça do «monarca» – a iniciativa não visava vencedores da estirpe do Zeca . Na sua secção de crítica televisiva, Mário Castrim exultava. Participa num  festival internacional em Cuba. Em 1971, publica o álbum Cantigas do Maio, gravado nos arredores de Paris. Sai a público o álbum Eu Vou Ser Como a Toupeira, gravado nos Estudios Celada, de Madrid, com a colaboração do cantor galego Benedicto e dos Aguaviva, conjunto vocal liderado por Manolo Díaz. Neste mesmo ano, é publicado pela editora Paisagem o livro José Afonso. Participa no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro.

Em Abril de 1973 é detido pela PIDE/DGS. Conta o Zeca: «Bateram à porta» (…) o meu filho Zé Manel foi abrir. O inspector apresentou-lhe o «crachat» da polícia e ele voltou-se displicentemente para a sala a dizer ‘oh pai é a prestimosa’. Fica 20 dias encarcerado na prisão de Caxias. Aproveita, na solidão da cela, para escrever Era Um Redondo Vocábulo. Em Dezembro sai o álbum Venham Mais Cinco, que grava em Paris, sempre com a colaboração de José Mário Branco.


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