O CAMPO DO ROU
Como em tudo, comecemos pelo princípio. No nome desta zona da cidade aparece uma palavra que nos é desconhecida, ROU. Que quererá isto dizer? Tudo leva a crer que “Rou, rou!” fosse uma interjeição que significava silêncio ou descanso, derivando do espanhol “ro”, do francês “rou” e/ou do alemão “ruhe” (1). O nome, é na verdade estranho, mas que esta “aldeia“ escondida numa zona antiga da cidade é “um descanso” quase perdido no tempo, lá isso é!
Vamos encontra-lo, ao Campo do Rou, em Massarelos, logo no início da Rua da Restauração.
Entramos por uma pequena rua, estreita, até chegarmos ao Largo, junto à antiga escola primária, onde começa a rua da Macieirinha.
Antes encontramos as escadas do Roleto, nome cuja origem é totalmente desconhecida. Estamos numa zona da cidade ainda pouco estudada.
ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA – CASA DOS MASCARENHAS E CAPELA
Ao chegarmos ao Largo do Campo do Rou, e antes da antiga escola primária, vemos, junto à antiga entrada da Fundição do Rou, a casa que pertenceu à família Mascarenhas (já só tem as paredes exteriores), e a capela adjacente que, apesar de estar destruída por dentro, continua a ostentar uma ou outra flor na porta. Ainda há, por aquelas bandas, quem se lembre do culto aos navegantes que por ali se fazia.
Depois a antiga escola, mais antiga que a antiga e destruída que por ali, perto do cimo da rua da Macieirinha, ainda tem os seus escombros.
Esta casa/escola é muito bonita, e ostenta ainda pormenores que só se viam nas casas muito antigas.
Subimos a rua da Macieirinha, em direcção a um das vistas mais deslumbrantes do Porto. Passamos pela velha fonte, pelo local onde, outrora, havia um portão que limitava a entrada à quinta do mesmo nome, e, junto a umas casas de renda económica, apreciamos a entrada da Fonte do Caco, e o vale da Ribeira de Vilar. Ao fundo o rio Douro, a Ponte da Arrábida e o mar.
Voltamos a descer em direcção à rua da Fonte de Massarelos e aos poucos fomos reparando no aspecto bucólico das ruas, das casas, do verde mal arranjado das plantas que se encontrava entremeado por leiras cultivadas com “mimos” (alfaces, couves, tomates, feijão, etc.). E reparamos também no silêncio, a lembrar-nos do significado do nome da zona, Rou!
Estávamos noutro local, numa aldeia de charme dentro da nossa cidade. Só falta arranjar dignamente os espaços ainda verdes, não permitir a construção em altura e o aproveitamento imobiliário, acabar de arranjar as casas ainda degradadas e retirar os automóveis que se encontravam estacionados desorganizadamente, e tudo passará a ser perfeito.
A zona do Campo do Rou, é uma pérola ainda inexplorada.
Chegados à rua da Fonte de Massarelos, fomos à sua procura.
Passámos pelo cruzeiro em louvor do Senhor dos Navegantes (não esqueçamos que por aqui viveram muitos dos marinheiros que faziam a viagem nos Lugres (bacalhoeiros) que iam para a Terra Nova. Massarelos esteve desde tempos imemoriais ligada ao rio e ao mar, e as suas gentes criaram esta memória provavelmente em 1732 e reconstruída em 1907.
As casas estão bonitas e bem arranjadas, pelo menos exteriormente.
Numa das bifurcações, encontramos uma casa com umas alminhas. Deverão ser em honra do Senhor dos Aflitos (ainda e sempre ligada aos navegantes).
LAVADOURO PÚBLICO
Logo à frente encontrei uma velha fonte e lavadouro público. A Fonte, antiga do século XVII (provavelmente edificada em 1637) tem duas bicas por onde já não sai água e lavadouros públicos de construção recente. O espaço serve de acolhimento a pelo menos três sem-abrigo. Na altura, a rua chamava-se “da Fonte das Bicas de Massarelos”.
Mais à frente a rua bifurca-se e começa a subida.
Entramos na Rua dos Moinhos. Onde os haveria? Ao longo da ribeira de Vilar?
Subimos, subimos, por um caminho que nos volta a lembrar o bucolismo da zona, e, de repente, uma nova Fonte. Grande, linda, escavada num túnel curto e alto. Não tem nome, mas deverá ser a Fonte das Conchinhas.
Olhando para trás, a vista é linda, sobre o vale e Massarelos, e sobre a aldeia que o Rou é, encravada no Porto.
A Fonte é linda, e também lá moram pessoas sem abrigo. Não tem qualquer placa indicativa, e é pena. Tem data, 1899, junto à bica, e 1909 no cimo do túnel. A CMP bem que lhe poderia dar um maior apoio e relevância.
(1)– In “Toponímia Portuense” de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas
FOI ASSIM A FOZ LITERÁRIA DE ONTEM.
A LÍNGUA PORTUGUESA TEM DIAS…
Por favor “clique” em cima do link para poder ver o vídeo da sessão
FOI HOJE ÀS 18H, EM COIMBRA
VAI SER ASSIM AMANHÃ.
17horas de Portugal
Pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=1-hR60HFRaY
ou ainda aqui: https://www.youtube.com/watch?v=1-hR60HFRaY
E NO DIA 13 DE MAIO


