UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (110) – Reposição

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O CAMPO DO ROU

Como em tudo, comecemos pelo princípio. No nome desta zona da cidade aparece uma palavra que nos é desconhecida, ROU. Que quererá isto dizer? Tudo leva a crer que “Rou, rou!” fosse uma interjeição que significava silêncio ou descanso, derivando do espanhol “ro”, do francês “rou” e/ou do alemão “ruhe” (1). O nome, é na verdade estranho, mas que esta “aldeia“ escondida numa zona antiga da cidade é “um descanso” quase perdido no tempo, lá isso é!
Vamos encontra-lo, ao Campo do Rou, em Massarelos, logo no início da Rua da Restauração.
Entramos por uma pequena rua, estreita, até chegarmos ao Largo, junto à antiga escola primária, onde começa a rua da Macieirinha.
Antes encontramos as escadas do Roleto, nome cuja origem é totalmente desconhecida. Estamos numa zona da cidade ainda pouco estudada.

CAMPO DO ROU ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA - CASA DOS MASCARENHAS E CAPELA
CAMPO DO ROU
ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA – CASA DOS MASCARENHAS E CAPELA

Ao chegarmos ao Largo do Campo do Rou, e antes da antiga escola primária, vemos, junto à antiga entrada da Fundição do Rou, a casa que pertenceu à família Mascarenhas (já só tem as paredes exteriores), e a capela adjacente que, apesar de estar destruída por dentro, continua a ostentar uma ou outra flor na porta. Ainda há, por aquelas bandas, quem se lembre do culto aos navegantes que por ali se fazia.
Depois a antiga escola, mais antiga que a antiga e destruída que por ali, perto do cimo da rua da Macieirinha, ainda tem os seus escombros.
Esta casa/escola é muito bonita, e ostenta ainda pormenores que só se viam nas casas muito antigas.
Subimos a rua da Macieirinha, em direcção a um das vistas mais deslumbrantes do Porto. Passamos pela velha fonte, pelo local onde, outrora, havia um portão que limitava a entrada à quinta do mesmo nome, e, junto a umas casas de renda económica, apreciamos a entrada da Fonte do Caco, e o vale da Ribeira de Vilar. Ao fundo o rio Douro, a Ponte da Arrábida e o mar.
Voltamos a descer em direcção à rua da Fonte de Massarelos e aos poucos fomos reparando no aspecto bucólico das ruas, das casas, do verde mal arranjado das plantas que se encontrava entremeado por leiras cultivadas com “mimos” (alfaces, couves, tomates, feijão, etc.). E reparamos também no silêncio, a lembrar-nos do significado do nome da zona, Rou!
Estávamos noutro local, numa aldeia de charme dentro da nossa cidade. Só falta arranjar dignamente os espaços ainda verdes, não permitir a construção em altura e o aproveitamento imobiliário, acabar de arranjar as casas ainda degradadas e retirar os automóveis que se encontravam estacionados desorganizadamente, e tudo passará a ser perfeito.
A zona do Campo do Rou, é uma pérola ainda inexplorada.
Chegados à rua da Fonte de Massarelos, fomos à sua procura.

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Passámos pelo cruzeiro em louvor do Senhor dos Navegantes (não esqueçamos que por aqui viveram muitos dos marinheiros que faziam a viagem nos Lugres (bacalhoeiros) que iam para a Terra Nova. Massarelos esteve desde tempos imemoriais ligada ao rio e ao mar, e as suas gentes criaram esta memória provavelmente em 1732 e reconstruída em 1907.
As casas estão bonitas e bem arranjadas, pelo menos exteriormente.
Numa das bifurcações, encontramos uma casa com umas alminhas. Deverão ser em honra do Senhor dos Aflitos (ainda e sempre ligada aos navegantes).

 

FONTE DE MASSARELOS LAVADOURO PÚBLICO
FONTE DE MASSARELOS
LAVADOURO PÚBLICO

Logo à frente encontrei uma velha fonte e lavadouro público. A Fonte, antiga do século XVII (provavelmente edificada em 1637) tem duas bicas por onde já não sai água e lavadouros públicos de construção recente. O espaço serve de acolhimento a pelo menos três sem-abrigo. Na altura, a rua chamava-se “da Fonte das Bicas de Massarelos”.
Mais à frente a rua bifurca-se e começa a subida.

Entramos na Rua dos Moinhos. Onde os haveria? Ao longo da ribeira de Vilar?

RUA DOS MOINHOS
RUA DOS MOINHOS

Subimos, subimos, por um caminho que nos volta a lembrar o bucolismo da zona, e, de repente, uma nova Fonte. Grande, linda, escavada num túnel curto e alto. Não tem nome, mas deverá ser a Fonte das Conchinhas.
Olhando para trás, a vista é linda, sobre o vale e Massarelos, e sobre a aldeia que o Rou é, encravada no Porto.

 

FONTE DO CACO
FONTE DO CACO

A Fonte é linda, e também lá moram pessoas sem abrigo. Não tem qualquer placa indicativa, e é pena. Tem data, 1899, junto à bica, e 1909 no cimo do túnel. A CMP bem que lhe poderia dar um maior apoio e relevância.

(1)– In “Toponímia Portuense” de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas

 

 

 

FOI ASSIM A FOZ LITERÁRIA DE ONTEM.

A LÍNGUA PORTUGUESA TEM DIAS…

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Por favor “clique” em cima do link para poder ver o vídeo da sessão

 

FOI HOJE ÀS 18H, EM COIMBRA

 

 

 

VAI SER ASSIM AMANHÃ.

17horas de Portugal

 

 

 

E NO DIA 13 DE MAIO

 

6 Comments

  1. Então pelos caminhos do romântico? uma zona bucólica, feita de silêncios, fontes, pequenos quintais e…
    de sem abrigos…uma aldeia “dentro da cidade”…parabéns!

  2. Não conhecia nem faço ideia de onde seja, mas tem lugares mágicos! Fiquei com vontade de deambular por ali, mas uma visita guiada seria muito melhor! Obrigado por estas crónicas mágicas!

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