Site icon A Viagem dos Argonautas

A TRAGÉDIA DO EURO. Por François Asselineau.

Selecção, tradução, montagem e introdução por Júlio Marques Mota

PARTE I

Nota de leitura

Dedico este trabalho ao meu amigo Pedro que a família teve de deixar, que o oceano teve de atravessar para num outro país se abrigar e onde quer descobrir um sítio para que com a sua família aí se poderem reencontrar. Dedico-o igualmente a todos aqueles que fortemente  abalados pela crise deste país destruído, totalmente ignorados pelas cúpulas europeias e internacionais, Comissão Europeia, BCE, FMI, procuram  algures a sua razão de ser, de viver, e esta faz-se, naturalmente pelo elo social mais forte, o TRABALHO, o que agora  lhes andam estas Instituições a roubar, pela simples razão de que  estas apenas têm como  função respeitar as ordens ditadas pelos mercados globais e em que tudo o resto, cidadania, democracia, respeito pelo Homem, tudo isso é descartável ; a ditadura sem nome a que se refere o texto abaixo.

Júlio Marques Mota

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

A tragédia do euro: Portugal torna-se um país de emigração em massa, tal como sob a ditadura de Salazar

François ASSELINEAU – Presidente  de UPR

Dia após dia, a actualidade dá-nos provas cada vez mais contundentes da realidade da situação criada pela moeda comum europeia.

É um excelente motivo para se proceder a uma nova informação que os nossos compatriotas têm direito a esperar que um movimento político honesto, confiável, competente e responsável aqui se  faça.

Portugal volta a tornar-se um país de emigração maciça, como sob a ditadura fascista

 O Primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho:

Nasceu em Coimbra, passou grande parte da sua infância em Angola, então colónia portuguesa onde o seu pai, Antonio Passos Coelho, foi médico. Com nove anos, a seguir à “Revolução dos Cravos” e ao movimento de descolonização, a sua família regressou a Portugal. Depois de uma passagem pelo mundo dos negócios, tornou-se o responsável máximo pelo partido social democrata (PPD/PSD) – partido de centro-direita equivalente à UMP em França, apesar do seu nome, Social-democrata.

Embora situado no Parlamento como pretensa oposição ao Partido Socialista, os sociais-democratas sempre se arranjaram de modo a que regularmente a sua formação política nunca votasse contra a política do PS, abstendo-se praticamente sempre nas questões decisivas, afim de permitir a adopção dos vários planos de rigor orçamental impostos pelo governo socialista de José Sócrates em 2010, com o PS em minoria no Parlamento. Em Setembro de 2010, propôs uma modificação da Constituição da República Portuguesa num sentido ultra-liberal: a ideia seria a de suprimir o princípio da gratuidade no ensino e na saúde. Durante a campanha para as eleições legislativas antecipadas de 15 de Junho de 2011, também anunciou um “programa de estabilidade e crescimento” (PEC) [sic], ao mesmo tempo que denunciava o facto de que o FMI tinha sido “diabolizado”.

Tendo conquistado uma maioria muito relativa nas eleições legislativas de Junho de 2011 (apenas 38,6% dos votos, enquanto que Passos Coelho visava a maioria absoluta), o principal líder da direita portuguesa, Pedro Passos Coelho, foi nomeado primeiro ministro, à frente de uma coligação de direita, em 15 de Junho de 2011, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva. É assim a terceira  vez desde a “Revolução dos cravos” de 1974 que pôs fim à ditadura de Marcelo Caetano, um fiel sucessor do ditador Salazar, que a direita portuguesa exerce o poder executivo [sendo a primeira vez que o faz de modo tão neoliberal].

Quinze dias depois da sua nomeação, em 30 de Junho de 2011, o novo primeiro-ministro anunciava, no seu discurso de política geral apresentado na Assembleia que “o estado das contas públicas obriga o governo a pedir mais sacrifícios para os portugueses”. Portanto, ele alertou claramente que uma política de rigor reforçado iria ser imposta aos Portugueses.

Em vez do pretenso ” programa de estabilidade e crescimento ” (PEC) [sic] prometido durante a campanha eleitoral, o novo primeiro-ministro confirma assim a sua completa submissão à oligarquia pró-Europeista (como François Hollande em França, um ano mais tarde). Simplesmente, ele deu o seu aval para a implementação do chamado “plano de resgate”, exigido pela União Europeia e o FMI – supostamente – para resolver a crise de dívida pública portuguesa e “ salvar o euro”.

Aqui está o plano:

Em suma, os eleitores portugueses foram enrolados, em Junho de 2011, na mesma farinha que os eleitores franceses em Maio-Junho de 2012.

(continua)
Exit mobile version