Nota de leitura de Júlio Marques Mota
Curiosamente o autor do texto fala-nos em ditadura de Bruxelas e durante os últimos anos não conhecemos nenhum grande acto de relevo que se possa chamar de Democracia. Se nos lembrarmos da crise irlandesa criada na sua maior parte pelos bancos da Irlanda sob o beneplácito do regulador central, a União Europeia, se nos lembrarmos de que a União Europeia recusou que fossem os accionistas desses mesmos bancos e os seus credores que assumissem a dívida, se nos lembrarmos que a União Europeia recusou drasticamente, porque…era necessário salvar os bancos alemães, percebemos bem que em Bruxelas não são os ares da Democracia que ai se respiram, mas sim os do fascismo, para não falar já dos ares do imperialismo alemão. UlrichBeck diz-nos que falta a militarização para se classificar assim Berlim mas não terá a Alemanha duas armas bem mais poderosas que se chamam os Tratados de Bruxelas feitos por ela e registados pelo Sarkozy, o Presidente dos paraísos fiscais bem respeitados, e como segunda arma não dispõe ela do servilismo bem demonstrado pelos diversos Gaspar que por essa Europa loucamente andam a cortar pedaços do futuro de cada um dos nossos filhos, dos nossos netos e isto por todo um continente transformado assim em verdadeira prisão? Não será isto então imperialismo? Então o que é? E A prisão Europa é bem expressa pela letra da canção Hotel Califórnia:
“We are programmed to receive
You can check out any time you like
But you can never leave”
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A Rádio-Televisão irlandesa RTE afirmou esta noite que a Irlanda poderia obterum abrandamento do seu plano de”resgate ” internacional, com um prolongamento da duração média dos empréstimos concedidos pela União Europeia… Refira-se que a Irlanda, cujos bancos foramduramente atingidos pela crise financeira, teve de pedir nofinal de 2010 uma ajuda financeira aosseus parceiros europeus e ao FMI. O plano de resgate prevê uma ajuda de 85 mil milhões de euros repartidos sobretrês anos, mas com a ajuda concedida sob o respeito de condições de austeridade draconianas.
AIrlanda espera poder repartir o reembolso dos seus empréstimos sobre 30 anos…
Segundo arádio-televisão pública irlandesa, citando fontes não oficiais, o objectivo é facilitar o regresso do país aos mercados financeiros, prevista em termos normais para 2013. Tendo-secomocerto que éimpossível que a Irlanda pague os seusempréstimosna duração prevista de15 anos, a Troika que reúne a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), consideraria oportuno passar esteperíodo de reembolso para… 30 ANOS! Por outraspalavras, serão váriasas gerações de jovens irlandeses queirão pagar ao longo detrês décadas os reembolsos de uma dívida tão delirantecomo largamente ilegítima .
Bruxelas desmente
Tendo tomado conhecimento destas informações da televisão irlandesa, o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso desmentiu-asimediatamente, pela voz do seu porta-voz de nacionalidade irlandesa Simon O’Connor. De uma forma pelo menos deselegante este último enviou uma simples mensagem Twitter: “as informações segundo as quaisa Troika está a considerara hipótese demudanças nos prazosde liquidação dos empréstimos constantes do programa para a Irlanda não são verdadeiras.” No entanto, os rumores que circulam na ditadura de Bruxelas sugerem que há enguias debaixo da rocha, apesar da rigidez na linguagem de Bruxelas. Fontes governamentais na Europa tinham indicado há uns dez dias que a Irlanda ia pedir para que lhe fosse concedido retroactivamente o mesmo tratamento que a Espanha.
CONCLUSÃO
O euro é um jogo de dominó que está a entrar em colapso, que se está a afundar. Cada vez que os acontecimentos forçam os defensores da política de austeridade aplicada e imposta por Bruxelas a concederem mais créditos, mais tempo e mais anulação de dívida , os outros dominós, obviamente, reivindicam o mesmo tratamento. O que agrava ainda mais a insolvabilidade do sistema . Até quando?
François Asselineau, Maintenant ça craque de nouveau du coté de l’Irlande, France/Europe, 19 de Junho de 2012
