Que esconde a nomeação de Vittorio Grilli pelo Presidente do Conselho italiano Mario Monti ? Por François Asselineau.
Selecção, tradução e nota de leitura, por Júlio Marques Mota
Nota de leitura ao texto de Asselineau sobre Mário Monti: Interroguemo-nos sobre quem nos governa, interroguemo-nos sobre a democratura que nos estão a impôr.
Depois dos textos apresentados neste blog à volta dos golpes de Estado organizados via BCE, o tal Banco Central Independente
Depois de percebermos que há uma carta de Jean-Claude Trichet a impor à Irlanda o resgate para salvar os bancos alemães e os bancos da City, muitíssimos expostos ao risco de dívida irlandesa, o mesmo é dizer para f. o povo irlandês, carta que ninguém pode publicar
Depois de percebermos que Berlusconi caiu quando o BCE não terá ido aos mercados secundários da dívida pública italiana e que com isso terá feito disparar os famosos spreads imaginados e depois impostos pelos operadores privilegiados nos mercados de dívida pública
Depois de percebermos, ou não, a chantagem de Goldman Sachs sobre o povo italiano quando depois de descrever que a saída possível e desejada pelos mercados era de um governo de tecnocratas mas nunca eleições, este banco escreve numa nota :
“Nos aproximamo-nos muito provavelmente dos mais altos rendimentos dos títulos da dívida pública de Itália (actualmente em torno de 500bp acima dos títulos alemães no sector de 10 anos e de 600bp em maturidades de 2 anos), mas a nossa hipótese de referência é a de que o mercado continuará volátil e instável até que os credores sobre títulos públicos da Itália estarem assegurados de que as reformas estruturais aguardadas desde há muito tempo, e que irão permitir levantar a taxa de crescimento do país, serão postas em prática.”
Depois de tudo isto percebemos como Berlusconi caiu, substituído por um homem, Mario Monti, antigo quadro de Goldman Sachs e antigo Comissário europeu. E o spread sobre os títulos da dívida pública italiana , tal como “informa” Goldman Sachs na sua nota, este spread desceu. Relembre-se aqui Tito Boeri:
” Depois de pagar este imposto, felizmente, recebemos os dividendos da credibilidade de Monti, que nos tem hoje com uns 80 pontos de base a menos que o spread de Espanha, exactamente como antes da crise do Verão de 2011.”
As previsões de Goldman Sachs, quando se fez politicamente o que o banco indicou como sendo o desejo dos mercados, estas bateram certo, é apenas o que se pode dizer, ou não será assim?
Depois de percebermos que na Grécia aconteceu exactamente algo de muito semelhante quando Papandreou colocou a hipótese de um referendo ao povo grego sobre as políticas de austeridade impostas ao povo grego a partir de Bruxelas e que a seguir foi rapidamente substituído por Loukas Papademos, um dos homens que terá estado na base da orquestração da falsificação das contas gregas organizada no Goldman Sachs onde trabalhava como vice-presidente Mario Draghi, relembremos aqui que Loukas Papademos è :
diplomado pelo Massachussetts Institute of Technology. Foi Professor na Universidade americana de Columbia antes de se tornar conselheiro económico do Federal Reserve de Boston. De 1994 a 2002, foi governador do Bank of Greece, lugar que manteve quando a Grécia se “qualificou” para entrar no euro, através da manipulação de contas organizada por Goldman Sachs. Depois, foi vice-presidente do BCE. Ele acaba de ser nomeado, sob a pressão da União Europeia e do G20, primeiro-ministro da Grécia, com o apoio dos dois partidos dominantes, e em um deles é o partido de socialista grego (PASOK).
Depois de percebermos que Jean-Claude Trichet blindou os arquivos do BCE para nada se saber quanto às manipulações feitas por Goldman Sachs no que diz respeito à Grécia com o argumento de que “não se podem desestabilizar os mercados” e estamos não só a falar de manipulações feitas não agora mas no período que precedeu a entrada da Grécia na zona euro, ou aliás, que lhe permitiu essa mesma entrada, mas estamos igualmente a falar de um período em que Mario Draghi era o responsável pelo Goldman Scahs para a Europa.
Depois de percebermos tudo isto, interroguemo-nos sobre quem nos governa. Por tudo isto sugiro que leiam com atenção a descrição minuciosa do golpe de Estado palaciano orquestrado em Bruxelas e que levou Mario Monti ao poder. Um texto notável de François Asselineau. E ainda me vêm falar em Democracia na União Europeia?
E uma última sugestão para quem saiba francês: veja o debate televisivo cujo link está indicado no texto que vai ler.
Júlio Marques Mota

