REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Que esconde a nomeação de Vittorio Grilli pelo Presidente do Conselho italiano Mario Monti ? Por François Asselineau.

Selecção, tradução e nota de leitura, por Júlio Marques Mota

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Nota de leitura ao texto de Asselineau sobre Mário Monti: Interroguemo-nos sobre quem nos governa, interroguemo-nos sobre a democratura que nos estão a impôr.

Depois dos textos apresentados neste blog à volta dos golpes de Estado organizados via BCE, o tal Banco Central Independente

Depois de percebermos que há uma carta de Jean-Claude Trichet a impor à Irlanda o resgate para salvar os bancos alemães e os bancos da  City, muitíssimos expostos ao risco de dívida irlandesa, o mesmo é dizer para f. o povo irlandês, carta que ninguém pode publicar

Depois de percebermos que Berlusconi caiu quando o BCE não terá ido aos mercados secundários da dívida pública italiana e que com isso terá feito disparar os famosos spreads imaginados e depois impostos pelos operadores privilegiados nos mercados de dívida pública

Depois de percebermos, ou não, a chantagem de Goldman Sachs sobre o povo italiano quando depois de descrever que a saída possível e desejada pelos mercados era de um governo de tecnocratas mas nunca eleições, este banco escreve numa nota :

“Nos aproximamo-nos muito provavelmente dos mais altos rendimentos dos títulos da dívida pública de Itália (actualmente em torno de 500bp acima dos títulos alemães no sector de 10 anos e de 600bp em maturidades de 2 anos), mas a nossa hipótese de referência é a de que o mercado continuará volátil e instável até que os credores sobre títulos públicos da Itália  estarem assegurados de que as reformas estruturais aguardadas desde há muito tempo, e que irão permitir levantar a taxa de crescimento do país, serão postas em prática.”

Depois de tudo isto percebemos como  Berlusconi caiu, substituído por um homem, Mario Monti, antigo quadro  de Goldman Sachs e antigo Comissário europeu.  E o spread sobre os títulos da dívida pública italiana , tal como “informa” Goldman Sachs  na sua nota, este spread desceu. Relembre-se aqui  Tito Boeri:

”  Depois de pagar este imposto, felizmente, recebemos os dividendos da credibilidade de Monti, que nos tem  hoje com uns  80 pontos de base a menos que o  spread de Espanha, exactamente  como antes da crise do Verão de 2011.”

As previsões de Goldman Sachs,  quando se fez politicamente o que o banco indicou como sendo o desejo dos mercados, estas  bateram certo, é apenas o que se pode dizer, ou não será assim?

Depois de percebermos que na Grécia aconteceu exactamente algo  de muito semelhante quando Papandreou  colocou a hipótese de um referendo ao povo grego sobre as políticas de austeridade impostas ao povo grego a partir de Bruxelas e que a seguir  foi rapidamente substituído por Loukas  Papademos, um dos homens que terá estado na base da orquestração da falsificação das contas gregas organizada no Goldman Sachs onde trabalhava como vice-presidente Mario Draghi, relembremos aqui que  Loukas Papademos è :

diplomado pelo Massachussetts Institute of Technology. Foi Professor na Universidade americana de Columbia antes de se tornar conselheiro económico do Federal Reserve de Boston. De 1994 a 2002, foi governador do Bank of Greece, lugar que manteve quando a Grécia se “qualificou” para entrar no euro, através da manipulação de contas organizada por Goldman Sachs. Depois, foi vice-presidente do BCE. Ele acaba de ser nomeado, sob a pressão da União Europeia e do G20, primeiro-ministro da Grécia, com o apoio dos dois partidos dominantes, e em um deles é o  partido de socialista grego (PASOK).

Depois de percebermos que Jean-Claude Trichet blindou os arquivos do BCE para nada se saber quanto às manipulações feitas por Goldman Sachs no que diz respeito à Grécia com o argumento de que “não se podem desestabilizar os mercados” e estamos não só a falar de manipulações feitas não agora mas no período que precedeu a entrada da Grécia na zona euro, ou aliás, que lhe permitiu essa mesma entrada,  mas estamos igualmente a falar de um período em que Mario Draghi era o responsável pelo Goldman Scahs para a Europa.

Depois de percebermos tudo isto, interroguemo-nos sobre quem nos governa. Por  tudo isto sugiro que leiam com atenção a descrição minuciosa do golpe de Estado palaciano orquestrado em Bruxelas e que levou Mario Monti ao poder. Um texto notável de François Asselineau. E ainda me vêm falar em Democracia na União Europeia?

E uma última sugestão para quem saiba francês: veja o debate televisivo  cujo link está indicado no texto que vai ler.

Júlio Marques Mota

(continua amanhã, com o artigo de François Asselineau)

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